O vereador Maicon Nogueira (PP) fez críticas ao Consórcio Guaicurus durante a sessão ordinária desta quinta-feira (2) na Câmara de Campo Grande. O parlamentar chegou a dizer que a empresa responsável pelo transporte público da Capital é uma ‘máfia’.
“Pessoas continuam pagando caro por um transporte ineficiente que não funciona. Até agora ninguém falou sobre troca de ônibus ou sobre a rescisão contratual, que é o que a população espera. As pessoas não aguentam mais a máfia do transporte operando em Campo Grande”, afirmou o parlamentar em plenário.
Intervenção e relatórios quinzenais
O Consórcio Guaicurus está sob intervenção da Prefeitura desde o dia 16 de junho. Os interventores, chefiados pelo advogado Aléxandro de Oliveira, assumiram a administração por 180 dias, prazo que vai até 13 de dezembro.
No dia 26 de junho, o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, determinou que a Prefeitura junte aos autos relatórios de acompanhamento dos interventores a cada 15 dias e informe oficialmente a medida ao magistrado e ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).
Ao fim do prazo, o relatório dos interventores vai embasar a decisão da prefeita Adriane Lopes (PP). Uma das possibilidades é decretar a caducidade do contrato, o que devolveria o serviço ao município para uma nova licitação.
A Prefeitura já sinalizou estudos preliminares para o novo edital. Segundo o diretor-presidente da Agereg, Paulo da Silva, a futura licitação deve exigir ar-condicionado na frota e parte dos veículos movidos a biogás.
‘Saco sem fundo’ nas contas
Após assumir, a equipe de intervenção identificou descontrole financeiro na concessionária. “A gente já tinha conhecimento dessa situação financeira. Agora, precisamos saber o porquê desse malabarismo, por que chegou a esse ponto?”, disse Aléxandro ao Jornal Midiamax.
A Prefeitura revelou que, mesmo com R$ 70 milhões em repasses, o Consórcio estaria à beira da falência.
Venda de garagem é alvo de investigação
Os interventores também vão apurar a venda da garagem da Viação Cidade Morena, na Avenida Gury Marques. O imóvel de 40,5 mil m² estava contabilizado em R$ 14,4 milhões, com valor líquido de R$ 11,1 milhões, mas foi vendido por R$ 7,7 milhões à Pauma Empreendimentos.
A compradora pertence aos mesmos sócios das empresas de ônibus de Campo Grande, da família Constantino. Para o autor da ação popular, Lucas Gabriel de Sousa Queiroz Batista, há indícios de “fraude por simulação de venda”. “Isso está na pauta. Temos que analisar a congruência dessas alegações, a natureza dessa negociação, se prejudicaram o contrato e o município”, disse o interventor-chefe.
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(Revisão: Nichole Munaro)






