Após a Câmara de Nova Alvorada do Sul obter assinaturas para instalar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o transporte universitário, o prefeito José Paleari (PP) conversou com a reportagem do Jornal Midiamax em seu gabinete.
O objetivo é apurar repasses feitos pela prefeitura à Aeunas (Associação dos Estudantes Universitários de Nova Alvorada do Sul), os quais somam R$ 3,8 milhões nos últimos anos.
Em maio deste ano, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) deflagrou a Operação Rota Desviada para investigar possíveis desvios no contrato da associação com a Anjos Transporte e Turismo LTDA (CNPJ 30.058.833/0001-74).
Na gestão do município desde 2021, o prefeito disse: “Fiquei sabendo desse movimento na Câmara que abre processo de CPI e acho que é legítimo”.
Sobre a responsabilidade do município, Paleari minimizou e limitou-se a dizer: “Minha parte eu fiz, contribuí com os universitários, fizemos o fomento, aprovamos e repassamos o recurso [para a Aeunas] […] quem contratou a empresa [alvo da investigação do Gaeco] é a associação dos estudantes. Não sei quem é a empresa e como era feito o controle disso. Eu sei que via a alegria dos estudantes indo para a faculdade”, declarou Paleari.
CPI na Câmara de Nova Alvorada do Sul
Na sessão desta terça-feira (4), mais de um terço dos vereadores — 4 dos 11 — assinou pedido para abrir a CPI para investigar o caso.
A propositora da CPI, vereadora Andrea Fernandes Fim Moraes (MDB), disse que a expectativa dos trabalhos é dar transparência a esse tipo de serviço, alvo do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), que deflagrou, em maio, a Operação Rota Desviada. Essa operação implicou vereadores e ex-vereadores por possíveis desvios no repasse, o qual superou R$ 3,8 milhões para fomentar o transporte universitário.
Além de Andrea, assinaram a CPI os vereadores Roberto Duarte da Silva (Podemos) — vice-presidente da Câmara; Rodrigo Ortega (PL); e Rones Cézar Leal (PSDB).
Operação Rota Desviada
Em maio deste ano, o Gaeco cumpriu 14 mandados na Operação Rota Desviada, inclusive na casa do ex-presidente da Câmara Sidcley Brasil da Silva; do vereador Ronaldo Camargo; e do ex-marido de uma integrante da Auenas.
O caso envolvendo transporte universitário já era investigado pelo Ministério Público, e a empresa supostamente pertence ao genro de Sidcley.
Conforme dados oficiais do portal da transparência do município, houve uma escalada expressiva nos valores destinados à entidade.
Em março de 2026, o atual prefeito, José Paleari (PP), firmou um novo termo com a Auenas. Desta vez, o serviço ficou ainda mais caro, e o montante, que poderá ser pago pela prefeitura até o fim do ano, será de R$ 2,4 milhões — um aumento de 166% em relação ao convênio anterior.
Nos dois primeiros meses de contrato, já foram destinados R$ 700 mil para a entidade. Nesse novo termo, a prefeitura inclui que o valor poderá ser utilizado para custear as despesas administrativas da associação, como o aluguel da sede, materiais de consumo, contas de água e luz, além do salário dos funcionários.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






