A deputada federal Camila Jara (PT-MS) protocolou pedido de investigação à Procuradoria-Geral da República (MPF-MS) e Superintendência Regional da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul para investigar a conduta do presidente da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), Sérgio Longen, que também é da diretoria da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Conforme nota emitida pela assessoria da parlamentar, o episódio ocorreu na última quinta-feira (30), quando Camila afirma ter sido impedida de participar de uma agenda com o ministro da Fazenda, Dário Durigan, na Casa da Indústria.
Ela diz que foi retirada do elevador mediante ‘uso de força bruta’, por ordem direta de Longen.
Para provar o ocorrido, a deputada pediu que as autoridades solicitem imagens das câmeras da Fiems, em caráter de urgência, para, segundo a deputada, preservar as provas da violência que ela alega ter sofrido.
No documento entregue ao MPF e PF, Camila Jara também pediu investigação de possível retaliação à atividade fiscalizatória do mandato.
Isso porque a deputada acredita que a atitude de Longen seja uma reação sobre os “esclarecimentos sobre cerca de R$ 60 milhões em recursos públicos destinados à FIEMS e sobre investigações em andamento envolvendo a diretoria da entidade, sob presidência de Sérgio Longen, por suspeitas de desvios no Sistema S”, diz trecho da nota.
Por fim, a deputada disse que quer encorajar mulheres a denunciarem quando forem vítimas de qualquer tipo de violência: “Nós não cabemos nesse espaço violento que querem nos colocar. Por isso, é importante denunciar e buscar as medidas cabíveis, justamente para mostrar para outras mulheres que não podemos aceitar esse tipo de situação”, conclui a nota.

Ministro repudia atitude de Longen
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, repudiou a atitude de Longen : “Gostaria de deixar aqui de público essa nota de repúdio minha a essa situação. Para além de qualquer questão pessoal que eu desconhecia, a deputada Camila Jara é uma representante do povo sul-mato-grossense que merece ter assento em qualquer evento, em qualquer reunião que a gente tenha aqui, em especial me acompanhando na condição de ministro da Fazenda”, disse em entrevista concedida ao Jornal Midiamax no dia seguinte ao evento.
‘Nenhuma mulher deve sofrer intimidação’, diz Vander
Presidente do diretório estadual do PT, Vander Loubet se solidarizou com Camila Jara e também emitiu nota de repúdio à atitude de Sérgio Longen.
Vander diz que “nenhuma mulher deve ser intimidada por ocupar lugar que conquistou”, completando que estamos às vésperas do Agosto Lilás, mês nacional de conscientização e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher.
E continuou: “As mulheres conquistaram, com muita luta, o direito de ocupar os espaços de poder e decisão. Toda mulher eleita pelo voto popular deve poder exercer seu mandato com respeito à sua voz e à sua representação. Violência política contra as mulheres é inaceitável e enfraquece a democracia”.
Silêncio de Longen
Desde o ocorrido, a reportagem tenta obter o posicionamento oficial da Fiems sobre o ocorrido, mas não houve retorno. Após a oficialização da notícia de fato junto às autoridades, o Jornal Midiamax tentou obter manifestação da entidade por meio de seus canais oficiais de comunicação e da assessoria jurídica, mas sem sucesso.
A Fiems disparou release sobre o evento em que afirmou que a deputada participou dos eventos institucionais, anexando fotos da deputada nos eventos.
No entanto, Camila Jara disse que o episódio ocorreu antes do último evento com o ministro, em que ela foi impedida. Para a deputada, a assessoria da Fiems praticou ‘gaslighting’, que é a tentativa de manipular fatos para confundir a narrativa da vítima sobre o que realmente aconteceu.
Também procuramos posicionamento da CNI em relação à denúncia contra Longen — ele é vice-presidente da entidade que representa a indústria nacional —, mas não obtivemos resposta.
O espaço segue aberto para posicionamento.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)









