A defesa do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk, ingressou com um pedido de habeas corpus no STJ (Superior Tribunal de Justiça) na sexta-feira (7). O recurso busca a liberação do ex-parlamentar, que está preso no Centro de Triagem de Campo Grande, sob a acusação de liderar a exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. Ainda não há decisão sobre o pedido de soltura.
O protocolo foi enviado ao STJ na noite de sexta-feira, menos de uma semana após o político ser preso na Bolívia. Na quinta-feira (6), o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) adiou o julgamento de um habeas corpus a pedido da própria defesa. Nova data deve ser marcada dentro de 15 dias.
Os advogados de Neno Razuk defendem que há incompetência do juízo da 4ª Vara Criminal Residual de Campo Grande para decretar a medida, além de ausência de pressupostos legais que justifiquem a prisão preventiva.
A defesa aponta ainda confusão entre a modificação da situação de fato e fato novo para fundamentar a prisão e inexistência de elementos que justificam a prisão, argumentando a falta de contemporaneidade dos fatos.
Neno deixou país e foi listado na Interpol
Neno Razuk foi detido no dia 2 de agosto na região de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Havia um mandado de prisão em aberto contra ele no Brasil e um pedido em análise para inclusão de seu nome na lista da Interpol (Difusão Vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal).
A defesa informou que o ex-deputado deixou o país após a perda do mandato parlamentar e aguardava a análise de um recurso no TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul) para tentar retomar o foro privilegiado, pleito que foi negado pela corte eleitoral.
Segundo nota emitida pela Polícia Federal, a localização ocorreu por meio de monitoramento conjunto com autoridades bolivianas. A defesa, em contrapartida, afirma que o ex-deputado já havia combinado sua apresentação ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e estava em deslocamento para o Brasil.
Ele foi conduzido pela PF até Corumbá e repassado ao Gaeco, dando entrada no presídio em Campo Grande na segunda-feira (3).
O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) denunciou Neno Razuk, seu pai — o ex-deputado federal Roberto Razuk, que cumpre prisão domiciliar — e seus irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk, que também estão presos.
A denúncia, protocolada em dezembro de 2025 e aceita pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande em janeiro de 2026, é um desdobramento da 4ª fase da Operação Successione.
Conforme a denúncia, a família Razuk é acusada de formar a cúpula de uma organização criminosa armada voltada à exploração ilegal de jogos de azar.
O Gaeco aponta que o grupo utilizava corrupção, lavagem de dinheiro e violência (incluindo roubos) para garantir o monopólio da contravenção.
A investigação relata o envolvimento de policiais militares da reserva e de um ex-policial na imposição do controle do jogo ilegal em Campo Grande.
O MPMS requer a condenação dos 20 denunciados e o pagamento de R$ 36 milhões a título de reparação de danos.
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(Revisão: Nichole Munaro)







