O prefeito de Terenos, Henrique Budke (PSDB), deve realizar mudanças no alto escalão após o retorno ao Paço Municipal. A mudança deve envolver secretários e incluir “pessoas de confiança” do tucano na administração municipal, de acordo com o vice-prefeito Arlindo Landolfi Filho (Republicanos), nesta segunda-feira (29).
“Agora vai ter umas mudanças internas. Normal, né? Colocar, fazer algumas trocas, pessoas de confiança e fazer essa transição, a transição está bem tranquila […] mas é normal dele moldar alguns secretariados, colocar pessoas de confiança, isso faz parte”, afirmou o vice-prefeito.
O médico representou a Prefeitura de Terenos em evento do Governo do Estado, nesta segunda-feira, para a entrega de maquinários voltados para a agricultura familiar. Budke teria ficado na prefeitura conversando com os Recursos Humanos e outros servidores para tratar da transição.
Arlindo atuou por nove meses como prefeito interino de Terenos enquanto o tucano estava afastado por determinação judicial. Na época, o vice-prefeito realizou mudanças na administração municipal. Henrique Budke foi alvo da Operação Spotless, em 9 de novembro de 2025, e apontado como chefe do grupo suspeito de fraudes milionárias em licitações.
Em 24 de junho, o STJ (Supremo Tribunal de Justiça) autorizou o retorno do tucano à prefeitura com o uso de tornozeleira eletrônica. Após retornar ao exercício do cargo, Budke suspendeu o expediente na Prefeitura de Terenos entre esta segunda-feira (29) até quarta-feira (1º) para “reorganização administrativa”.

O termo que marca o retorno de Henrique Budke à frente da Prefeitura de Terenos data de 25 de junho, mas segundo Arlindo, o tucano teria retornado aos trabalhos nesta segunda-feira. Contudo, os dois já teriam sentado para discutir a transição da gestão.
“A transição está tranquila. Eu sentei com ele, tenho que passar as coisas, as mudanças que eu fiz, como é que está o nosso financeiro. Essa parte está bem tranquila […] a principal coisa é manter a casa em ordem, dar continuidade aos serviços que já estão sendo prestados e isso por benefício da população.. Então, a princípio, manter as coisas que estão funcionando bem, fazer mudanças realmente são só técnicas, colocar pessoas da confiança dele, mas manter o trabalho para benefício da população”, explicou Arlindo.
Após o retorno à Prefeitura de Terenos, Budke rompeu unilateralmente cinco contratos, dois deles suspeitos de fraudes. Arlindo, antes de deixar o executivo municipal, também encerrou dois contratos que foram alvos da Operação Spotless.
“Não cheguei [a conversar sobre manter as rescisões contratuais], mas deve manter com certeza, porque a gente rompeu unilateralmente com as empresas, né? Não tem volta”, acredita Arlindo.
O vice-prefeito afirmou que pretende se dedicar ao ofício de médico após deixar a cadeira de chefe do executivo municipal, incluindo o atendimento em outras cidades além de Terenos.
“Eu sou médico, vou voltar a trabalhar, vou estar perto, vou estar presente. Só que agora não dentro da Prefeitura, mas vou sempre estar ajudando a população […] atendo em Ternos e agora vou voltar a expandir meus horizontes para outras cidades também”, explicou.
Retorno ao cargo
Na quarta-feira (24), o ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça, revogou a medida que impedia Henrique Budke de exercer o mandato de prefeito. Apesar de autorizar o retorno ao cargo, o magistrado manteve outras medidas cautelares impostas ao investigado, como o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de manter contato com outros investigados e testemunhas e a vedação a atuar em contratos e licitações que são objeto da Operação Spotless.
Budke também permanece proibido de firmar novos contratos com empresários e empresas denunciados na ação penal.
Operação Spotless
Deflagrada em setembro de 2025, a Operação Spotless investiga um suposto esquema de fraude em licitações e corrupção na Prefeitura de Terenos. Conforme o Ministério Público, a organização criminosa teria direcionado licitações, fraudado a competição entre empresas e pago propina a agentes públicos para favorecer contratos de obras e serviços no município.
Segundo a investigação, as fraudes superariam R$ 15 milhões apenas no último ano analisado. O prefeito Henrique Budke foi apontado pelo MPMS como líder da suposta organização criminosa. Ele nega as acusações, afirma ser inocente e responde ao processo em liberdade.
🔵 Receba notícias de Política no seu WhatsApp
Participe do grupo de Política do Jornal Midiamax no WhatsApp e receba informações diárias de tudo o que acontece na política de Mato Grosso do Sul.
✅ Clique aqui para participar








