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Política

Com Pollon indicado ao Senado por Bolsonaro, racha no PL aumenta em MS

Ala do partido resiste à pré-candidatura de ex-governador Azambuja, que apelou até a Valdemar da Costa Neto para acalmar os ânimos
Adriel Mattos -
pollon moraes
Marcos Pollon é deputado federal de Mato Grosso do Sul pelo PL. (Arquivo, Jornal Midiamax)

A indicação feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro do nome do deputado federal Marcos Pollon para pré-candidato do PL ao Senado por Mato Grosso do Sul aumenta o racha no diretório estadual. Agora, são quatro postulantes para apenas duas vagas.

Rejeitado pelos bolsonaristas, o ex-governador Reinaldo Azambuja vinha se colocando na disputa desde que chegou à legenda. Antes da condenação e prisão, Bolsonaro sugeriu a vice-prefeita de , Gianni Nogueira, como outra pré-candidata, em março de 2025.

O ex-governador ficou ainda mais isolado depois que o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, filiou o ex-deputado estadual Capitão Contar e o anunciou também como pré-candidato, em novembro de 2025.

Meses depois, em fevereiro de 2026, Valdemar veio a Campo Grande e se encontrou com Reinaldo para acalmar os ânimos. O dirigente estava na Capital para tratamento estético.

Não houve reunião com o partido, mas o ex-governador telefonou para Valdemar e marcou uma conversa às pressas. Inclusive, seria a terceira vez que o líder do PL vem a , mas esta não seria somente por motivos estéticos.

Fontes dentro do partido afirmam que pesquisas podem indicar outro nome da direita para a vaga ao Senado e que o nome de Reinaldo não é consenso.

O ex-presidente do PL em MS — e amigo íntimo de Bolsonaro — Tenente Portela lembra que o ex-presidente prometeu que uma vaga ao Senado pelo PL seria para Reinaldo. Apesar da promessa, admite que o nome de Reinaldo não é consenso no partido. “De primeira mão, não aceitaram [bolsonaristas de MS sobre Reinaldo no comando do PL]. Fomos conversando e, na base do diálogo, muitos aceitaram. Mas não foi totalidade. Tem alguns que não aceitam”, pontuou.

Lista de Flávio Bolsonaro distancia Reinaldo de bolsonaristas em MS

O vazamento de documento com anotações do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, com indicações do cenário eleitoral do PL em Mato Grosso do Sul aprofunda o racha no partido e distancia o presidente do partido em MS, ex-governador Reinaldo Azambuja, mais ainda do núcleo bolsonarista “raiz”.

As anotações estariam em um documento intitulado “Situação nos Estados”, feitas à mão. Elas são atribuídas ao 01 do clã Bolsonaro, feitas durante reunião da cúpula do PL em , para tratar sobre os cenários das eleições nos estados.

No que se refere a Mato Grosso do Sul, constam nas anotações de Flávio um suposto pedido do deputado Marcos Pollon de R$ 15 milhões para abandonar sua pré-candidatura ao Governo do Estado — ou Senado, já que ele também se colocou à disposição ao cargo.

No mesmo dia, durante depoimento de Pollon ao Conselho de Ética da Câmara, Pollon denunciou atuação do PSDB de MS no PL: “O PSDB tentou tomar o PL para seu próprio interesse. Mas não se trata de cor partidária, trata-se de liberdade, princípios e honestidade. Eu ofereci a presidência do partido a terceiros, mas mesmo assim espalham mentiras sobre mim”.

Também citada nas anotações de Flávio por supostamente estar pedindo R$ 5 milhões para abrir mão da pré-candidatura ao Senado, a vice-prefeita de Dourados e também pré-candidata ao Senado, Gianni Nogueira — esposa do deputado federal Rodolfo Nogueira — também sugere boicote interno.

Gianni diz que esse suposto pedido é uma “mentira levada de maneira cruel e rasteira até o pré-candidato à Presidência do PL [Flávio]”.

Reinaldo reconhece resistência de bolsonaristas no PL e diz que eleitor da direita ‘não pode ser burro’

Após a visita de Valdemar, Reinaldo passou a pregar união no PL numa frente para derrotar a esquerda. “[O eleitor] Ele acha que, por ser raiz, sozinho ele vence a esquerda? Ele precisa agregar o eleitor do centro que ainda não está decidido ainda. Esse eleitor não pode ser burro, né? Pra ganhar a eleição, precisa somar forças. Se não somar força, pode perder de novo”, defendeu em entrevista ao Jornal Midiamax.

Além de Gianni e Pollon, outro que demonstrou resistência a ter o ex-governador no partido foi o deputado estadual João Henrique Catan.

“Infelizmente, tem cabeças no próprio partido que não pensam assim, acham que sozinhos ganham as eleições. Em vez de juntar os parceiros, espantam os companheiros. Mas isso faz parte de uma política de pensamento individualista”, disse o ex-governador, ao pontuar a missão de garantir palanque a Flávio Bolsonaro em Mato Grosso do Sul.

Reinaldo diz que o “inimigo comum” do partido é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a esquerda. Ex-PSDB, o dirigente reafirmou que as candidaturas ao Senado, principal tema divergente no partido, devem ser definidas a partir de abril, quando a legenda pretende aplicar pesquisas junto ao eleitorado local.

O ex-governador afirmou que a decisão — de quem será candidato pelo PL ao Senado — será fruto dos dados colhidos de forma quantitativa e qualitativa. Porém, questionado se recuará, em caso de baixo desempenho nos levantamentos, disse que vai cumprir as “regras do jogo”. Por fim, desconversou e disse que já ganhou eleições quando se apresentava em baixa nos levantamentos quantitativos.

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