O Partido dos Trabalhadores (PT) em Mato Grosso do Sul manifestou repúdio ao episódio envolvendo a deputada federal Camila Jara (PT), que foi impedida de acompanhar o ministro da Fazenda, Dário Durigan, em um evento na Fiems (Federação das Indústrias do Estado de MS) na quinta-feira (30).
Lideranças do partido classificaram o ato como machismo institucional e perseguição política.
Em nota oficial, o PT-MS destacou que a reunião com o ministro de Lula tratava de temas de grande interesse público para o Estado, como o Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados).
O partido enfatizou que o evento não era de caráter reservado e que a parlamentar possuía um convite formal feito pelo próprio ministro.
Para a sigla, o tratamento oferecido pela Fiems à deputada vai além de uma falha de protocolo ou de divergências político-ideológicas, configurando uma afronta direta a um mandato legítimo e um ato claro de discriminação.
“O episódio é grave não apenas por representar uma afronta a um mandato popular legítimo, mas, sobretudo, por atingir uma mulher, mais uma vítima de um olhar seletivo que ainda tenta diminuir e subordinar mulheres em espaços de poder. Essa lógica, embora histórica, não tem lugar numa sociedade democrática e igualitária. A atitude feriu princípios éticos básicos e contraria a própria Constituição, que garante a igualdade de gênero por meio de instrumentos consolidados, como a pioneira Lei Maria da Penha (Lei 11.340), em vigor há 20 anos”, afirmou a legenda.
Para o diretório estadual, a situação expõe a economia de Mato Grosso do Sul a uma imagem comprometida acerca do respeito às mulheres, pauta cada vez mais priorizada pelo setor econômico e por grandes marcas empresariais.
“Uma instituição tradicional, de peso reconhecido na economia e nos rumos do Estado, o que torna ainda mais grave a repercussão negativa e o risco de a Fiems e seus representados ficarem associados a esse tipo de conduta, algo que nenhuma instituição séria deveria desejar para si. Impedir o acesso de uma deputada federal nessas condições desrespeita sua investidura parlamentar e escancara um padrão que este Partido não vai deixar de nomear: o machismo institucional, que segue limitando o espaço de atuação das mulheres mesmo em ambientes que se dizem plurais”, afirma a nota.
Machismo e falta de transparência, acusa Kemp
Já o presidente do diretório municipal do PT em Campo Grande, deputado estadual Pedro Kemp, prestou solidariedade à correligionária e rechaçou qualquer tentativa da organização de justificar o bloqueio por meio de “critérios técnicos”, “limitação de espaço” ou “burocracia de lista”.
Kemp ressaltou que a federação é uma entidade sustentada por aportes públicos e que impedir o acesso de uma parlamentar convidada formalmente por um ministério federal é inaceitável.
“Barrar uma parlamentar eleita sob o pretexto de burocracia de lista é uma manobra e sabemos o que isso significa. O nome disso é perseguição política e exclusão de gênero. Machismo e falta de transparência não fazem parte da democracia”, declarou Kemp.
O deputado tem atuado para cobrar explicações sobre repasses públicos à Fiems na esfera das contas estaduais, enquanto Camila e Vander Loubet (PT) buscam pressionar para que a entidade, com histórico de investigações sobre destinação de recursos, preste contas de como gasta os aportes milionários do Governo Federal para o incentivo da atividade industrial.
Moção de repúdio na Câmara
O vereador Landmark anunciou que apresentará uma moção de repúdio na Câmara Municipal de Campo Grande em defesa da parlamentar.
O parlamentar destacou a natureza institucional da visita do ministro da Fazenda, que buscava dialogar com o setor produtivo e reforçar o compromisso do Governo Federal com incentivos fiscais e a valorização do comércio e do empresariado.
“Nós temos lado! Defendemos os trabalhadores e trabalhadoras. Mas a federação aqui de MS tem feito mutreta com dinheiro público. E isso os órgãos de controle estão investigando. Mas ontem era uma visita institucional e protocolar com o ministro da Fazenda, para falar com os empresários, onde o governo Lula também tem compromisso, com incentivos fiscais e valorização também aos empresários e comerciantes”, disse.
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(Revisão: Nichole Munaro)









