A deputada estadual Gleice Jane (PT) afirmou que a blindagem do presidente da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), deputado Gerson Claro (PP), à Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul) quanto aos questionamentos sobre o convênio de R$ 7 milhões articulado pelo ex-secretário da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) e pré-candidato, Jaime Verruck (Republicanos), impacta a autonomia parlamentar.
Ela já sofreu indeferimento de Claro em dois requerimentos de informação acerca de esclarecimentos sobre as verbas públicas que são repassadas à entidade das indústrias. A Fiems é investigada no MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) por suspeitas de fraudes contratuais e está há quase duas décadas sob comando de Sérgio Longen, empresário investigado pela Polícia Federal e com bens bloqueados desde a operação Fantoche, deflagrada em 2019.
“A população é quem está pagando esse recurso. Os R$ 7 milhões saíram do bolso do povo. Então, [com a blindagem de Claro], o povo não vai saber, não tem resposta sobre esses questionamentos, sobre o que a Fiems está fazendo [com o dinheiro público]”, disse.
A deputada rechaçou a manobra do chefe do Legislativo e disse que os entraves criados por Gerson Claro aumentam as suspeitas sobre o uso regular do dinheiro já pago integralmente aos cofres da Fiems.
“À medida que eu não tenho respostas, eu tenho mais dúvidas. Porque se eu não tô sabendo o que está acontecendo, se eu estou sendo impedida de ter a resposta, olha, isso me traz mais dúvidas ainda e mais questionamentos. Por qual motivo eu não posso saber o que tem por trás disso?”, questiona a deputada, que no requerimento cobrava do substituto de Verruck na pasta, Artur Falcette, a apresentação do plano de trabalho do convênio.
Gleice afirmou semanas atrás que esse plano foi prometido por Falcette em reunião fechada na sala da presidência da Alems, em 20 de maio, mas desde então nenhum documento chegou até os parlamentares.
“Nós vamos ter que ver as medidas que podem ser feitas agora, se judicializa isso ou não. Já que nós não estamos conseguindo obter informações sobre recursos do povo, a população tem que saber. O que a gente quer é acesso às informações sobre o dinheiro do povo”, disse.
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(Revisão: Nichole Munaro)








