Em reunião na tarde desta sexta-feira (16), os vereadores de Campo Grande assinaram o requerimento para abrir uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a operação tapa-buracos na Capital, um dos principais pontos de reclamação da população.
O requerimento conta com a assinatura de 24 dos 29 vereadores. Nem todos os parlamentares estiveram presentes na reunião que definiu a instauração da CPI para debater o assunto, que vem sendo discutido há diversas sessões na Casa.
Agora, com as assinaturas, o requerimento — apresentado em agosto pela vereadora Luiza Ribeiro (PT) — vai passar pelo crivo da Procuradora da Câmara, que irá analisar os requisitos e fornecer um parecer favorável ou não em até cinco dias úteis para a instauração da CPI. Caso o parecer seja positivo, o requerimento é votado em plenário pelos vereadores para a abertura da CPI.
Se os vereadores instaurarem a investigação, uma comissão é formada com cinco membros levando em consideração a proporcionalidade dos partidos da casa, inclusive para os cargos de presidência e relatoria.
“Praticamente todos os que estão presentes aqui assinaram a CPI. Os vereadores que estão ausentes também estão se manifestando positivamente para que a CPI seja um instrumento da casa de leis em favor do povo de Campo Grande para que a gente debata a respeito do tapa-buraco os porquês desse serviço estar sendo tão ineficaz na cidade”, disse o presidente da Casa, vereador Papy (PSDB).
Segundo Papy, a CPI terá 10 fatos determinados para investigar, como a diminuição do orçamento, a ineficácia do serviço e também discutir casos de corrupção.

Na última sessão, na quinta-feira (15), a Câmara aprovou um requerimento para convocar o secretário de Infraestrutura, André Mourão, para prestar esclarecimentos na próxima terça-feira (20). Inclusive, antes da aprovação, a sessão ordinária foi suspensa para uma reunião a portas fechadas para debater a possível abertura da CPI.
Caso Mourão compareça ao compromisso, os vereadores apresentarão um plano de melhorias a curto, médio e longo prazo. A medida é paralela à abertura da CPI, que tem seus próprios prazos regimentais.
Tapa-buracos
Em 12 de maio de 2026, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) deflagrou a Operação Buraco sem Fim, cumprindo sete mandados de prisão e dez de busca e apreensão em Campo Grande, contra um esquema de fraude no serviço de tapa-buracos.
A investigação constatou a existência de uma organização criminosa que atuava fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas, por meio da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos.

Os promotores descobriram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais.
Levantamento indica que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada amealhou contratos e aditivos no valor de R$ 113.702.491,02.
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