Vereadores de Ponta Porã manifestaram repúdio às críticas da vereadora douradense Isa Marcondes (Republicanos), divulgadas em redes sociais nesta semana, contra a gestão de saúde na fronteira. Eles acusaram a parlamentar de praticar populismo ao criticar suposta defasagem na verba que custeia o atendimento de pacientes na macrorregião de Dourados.
A distância entre as cidades é de apenas 100 km.
O estopim das críticas à ‘vizinha’ foi um vídeo publicado na segunda-feira (2), em que a parlamentar cobra a administração municipal de Ponta Porã sobre o atendimento a pacientes no Hospital da Vida. Ela chegou a dizer que estaria ajudando o prefeito Marçal Filho (PSDB) a cobrar melhoria no financiamento dos serviços aos mais de 30 municípios que compõem a região.
Na tribuna da Câmara de Dourados, ontem (3), Isa Marcondes afirmou que Ponta Porã teria um déficit de R$ 6,3 milhões na pactuação da saúde regionalizada, alegando que o montante enviado não cobre os custos reais dos pacientes.
“Eles mandam uma mixaria para nossa cidade. Antes de vocês falarem, vão aprender a fiscalizar a saúde da cidade de vocês”, disparou a vereadora, sustentando que trabalha com números e que os pacientes da fronteira estariam “sofrendo e morrendo” por falta de recursos de seus municípios de origem.
“Eu acabei de receber um vídeo de uns vereadores. Graças a Deus que eu coloquei vocês para trabalhar em Ponta Porã”, disse ainda.
Reação na fronteira
A resposta da Câmara de Ponta Porã foi coletiva. O vereador Marcelino Nunes de Oliveira (PP) liderou as críticas, classificando a postura da colega vizinha como uma “política de likes” e “TikTok”. Segundo Marcelino, Dourados é uma macrorregião de saúde pactuada para atender 35 municípios e recebe repasses específicos para essa finalidade.
“Ali ela tripudiou em cima da gente, de forma demagoga, sem conhecimento de causa, porque Dourados é uma macrorregião da saúde, e isso foi pactuado na reunião da saúde estadual, que Dourados atenderia 35 municípios. É uma região com uma tecnologia na área da saúde um pouco mais avançada do que Ponta Porã, com vários hospitais. E Dourados atende não só Ponta Porã, atende 35 municípios. E isso também faz com que eles recebam um valor um pouco diferenciado”, rebateu Marcelino, que disse não fazer política discriminatória.
Agnaldo Pereira Lima (PSDB) e Lourdes Monteiro (PL) enfatizaram que o fluxo de pacientes é determinado pelo SUS (Sistema Único de Saúde), por meio da regulação estadual, e não por vontade política local.
“Os pacientes que vão de Ponta Porã passam pelo sistema de regulação. Não é Ponta Porã que está encaminhando, é o Estado. E quem é que paga? É o Estado, não é o prefeito. O prefeito tem a responsabilidade da saúde básica, o posto de saúde”, disse Lourdes.
Já o vereador Edinho Quintana (PT) rechaçou a ideia de que Dourados preste um favor à região. “Parece que Dourados faz caridade, mas não é verdade. O imposto de Ponta Porã é recolhido pelo Estado e parte disso é investido nessa pactuação. Então, tem dinheiro de Ponta Porã”, disparou.
José Menino Júnior (PSDB) ironizou o convite da vereadora douradense para “ensinar a fiscalizar”.
“Acho que foi até uma palavra ou um momento ali, talvez de nervosismo, pelos problemas que Dourados tem, mas é aquilo: a culpa é minha, eu coloco em quem eu quiser. Pelo menos a abordagem que foi trazida no vídeo”, afirmou.
O vereador tucano ainda apelou ao prefeito de Ponta Porã, Eduardo Campos (PSDB): “Se tiver disponibilidade, ajude o prefeito de Dourados a ser prefeito”.
O que dizem os gestores?
A reportagem procurou o prefeito de Ponta Porã, Eduardo Campos, que afirmou não querer comentar o assunto. Marçal Filho (PSDB), por sua vez, não respondeu aos questionamentos da reportagem. O Jornal Midiamax também tentou falar com o secretário municipal de Saúde de Dourados, Márcio Figueiredo, mas não obteve retorno.
A SES (Secretaria Estadual de Saúde) afirmou em nota que o município de Dourados possui gestão plena do sistema municipal de saúde, conforme pactuação do SUS (Sistema Único de Saúde).
“Nessa condição, a Secretaria Municipal de Saúde é responsável pela gestão dos serviços, contratos, execução dos recursos e pelas informações relativas aos valores per capita e demais repasses financeiros destinados à assistência no âmbito municipal. O Estado atua como interveniente nos contratos firmados, conforme previsto nas normativas do SUS, prestando apoio financeiro, institucional e acompanhamento, quando necessário”, pontuou a gestão estadual de Saúde.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








