O deputado estadual Zeca do PT acionou a diretoria regional do partido para cobrar a expulsão de um terço dos vereadores filiados ao PT em Mato Grosso do Sul. Ele acusa os parlamentares de infidelidade partidária durante as eleições que garantiram o 4° mandato presidencial de Lula.
Segundo o parlamentar, dos 37 vereadores que a legenda possui no Estado, entre 10 e 12 atuaram em desacordo com as diretrizes da sigla e apoiaram candidaturas adversárias à federação partidária.
De acordo com Zeca, o argumento central das representações enviadas à direção estadual, à executiva e à comissão de ética baseia-se no registro de vereadores petistas fazendo campanha para candidatos de outras coligações.
O deputado listou divergência com políticos em redutos como Porto Murtinho — sua base eleitoral —, Aquidauana, Miranda, Nioaque e Glória de Dourados.
“Nós temos 37, eu acho que tem pelo menos uns 10, 12 que precisam ser expulsos do PT. E eu defendo a expulsão. […] Não sei se ficaram ou não com Lula, o que eu sei é que vários deles, inclusive, foram fotografados com o Riedel [governador venceu eleição em oposição ao PT] e deputados de outras coligações que não da Federação nossa. E, no meu humilde entendimento, reside aí um negócio que pra nós é muito caro, chamado infidelidade partidária. Vou embasar a minha defesa, a minha tese em cima desse princípio”, afirmou.
Expulsão contra oportunistas
Para o ex-governador de MS, a medida disciplinar é necessária para coibir o uso oportunista da legenda por políticos que se elegem pela estrutura petista, mas abandonam o projeto ideológico da sigla após o pleito.
Ele associou a ofensiva estadual a um movimento nacional da legenda, apontando que o presidente nacional do partido, Edinho Silva, teria determinado o avanço de investigações internas contra integrantes do chamado “Centrão do PT”.
Segundo a Folha de S. Paulo, durante reunião da Executiva Nacional do PT na quinta-feira (29/10), Edinho sugeriu a saída voluntária de dirigentes do partido que se omitiram na eleição. No discurso, o presidente nacional do partido citou o fato de integrantes terem tirado férias no segundo turno, enquanto Lula precisava de uma virada inédita para derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial.
“Nós somos eleitos em cima de um atrativo forte, pelo menos pra uma parte da sociedade, chamado Partido dos Trabalhadores. Portanto, não é justo que alguns venham pro PT, se utilizem de uma marca político-eleitoral da envergadura que o PT tem pra se eleger e depois virem as costas e simplesmente vão embora”, afirmou Zeca.
Zeca afirmou que, diante do acolhimento das denúncias, o partido buscará a perda automática dos mandatos para dar vaga aos suplentes. Nesta sexta-feira (6), o deputado confirmou ter iniciado um roteiro de viagens pelo interior — passando por Bodoquena, Bonito e assentamentos de Bela Vista — com o objetivo de atrair a juventude e novas lideranças que surgiram na mobilização eleitoral refletida na virada histórica de Lula no 2° turno.
“Minha tese é que nós temos que aproveitar o momento de ascensão da luta em defesa da justiça social, que a gente viu muito positivamente correspondido a partir da experiência do Brasil pro resto do mundo. Já aconteceu nos Estados Unidos, tá acontecendo grandes mobilizações no Paraguai e acho que é daí que nós temos que nos alimentar, com novas lideranças”, afirmou.
🔵 Receba notícias de Política no seu WhatsApp
Participe do grupo de Política do Jornal Midiamax no WhatsApp e receba informações diárias de tudo o que acontece na política de Mato Grosso do Sul.
✅ Clique aqui para participar
(Revisão: Dáfini Lisboa)







