Na última semana, a aplicação da justiça deixou Mato Grosso do Sul estarrecido com casos de bandidos que deixaram as celas pelas portas da frente. Mesmo gravados confessando condutas ilícitas ou flagrados por câmeras, escaparam.
Como decisão judicial não se questiona, se cumpre, resta à sociedade sul-mato-grossense entender quem está falhando.
Na ponta da manutenção da ordem, policiais se revoltam cada vez que têm todo esforço de combate ao crime jogado no lixo. A sensação de enxugar gelo ou de estar do lado errado no sistema tem adoecido cada vez mais servidores públicos em MS, sejam eles militares ou civis.
“A gente prende de noite, com flagrante, com imagens, com prints de conversas, com confissões, mas esperamos que os sujeitos saiam de manhã. Em alguns casos, os vagabundos saem antes que a gente, porque precisamos ficar preenchendo papelada”, lamenta veterano.
Mato Grosso do Sul não pode ficar refém de falhas que expõem todos os envolvidos, independentemente do tamanho do salário que ganham, à desconfiança popular.
Como explicar a ‘falta de prova’ quando todos viram até vídeo?
Nesta semana, em bairro de Campo Grande amedrontado com dois suspeitos de assassinato soltos por ‘falta de prova’, os comentários refletem a dúvida sobre servidores supostamente jogando com facções.
“Não é possível. Foram filmados de moto chegando para matar e pegos com a arma do crime, mas falaram que faltaram provas, que teve erro no jeito como apresentaram as provas lá. Isso não entra na nossa cabeça. O que a gente pensa é que alguém pode até receber da facção pra facilitar assim, entende?”, questiona uma senhora.
Assim, o clichê da ‘falta de prova’, que separa o criminoso confesso das ruas, não é embalado apenas pelo cansaço do policial na calçada. Quem carimba o procedimento no ar-condicionado também precisa prestar contas.
Será que flagrantes perfeitos viram fumaça em 24 horas porque quem deveria fiscalizar a lei tem abandonado o rigor técnico em Mato Grosso do Sul?
“Quando é para pegar no pé dos policiais, esse povo sabe cobrar até o lado do laço no cuturno. Mas para garantir que bandido fique guardado, quase não agem”, reclama policial cansado de se sentir “alvo de quem deveria estar do mesmo lado”.
Manifestações que descaradamente seguem o ritmo de assessores do Ctrl C + Ctrl V. Isso, quando não são geradas por IA. Assim, enfraquecem o procedimento e abrem as brechas que o crime precisa: denúncias copia e cola genéricas.
Por isso, a população de Mato Grosso do Sul, enquanto assiste ao avanço das facções, tem o direito de ficar em dúvida: o “erro grosseiro” que justifica a falta de prova e solta bandido é só incapacidade técnica, ou poderia ser uma suposta ajudinha providencial?
Já que se repetem os mesmos problemas procedimentais, MS quer saber quem está falhando e o que tem sido feito para resolver as mesmas questões alegadas de sempre: omissão do direito ao silêncio, entrada ilegal em domicílio, confissão informal sob coação, quebra da cadeia de custódia e até a ausência dos requisitos legais do flagrante.
Se todos sabem onde estão os erros que soltam bandidos mesmo quando confessos, quando Mato Grosso do Sul vai começar a resolvê-los?
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