Cumprindo medidas cautelares em processo por desvios milionários em Sidrolândia, Claudinho Serra informou à Justiça seu novo endereço. O ex-vereador de Campo Grande não está mais em um apartamento de luxo no Jardim dos Estados. Agora, o político, que segue suas atividades como produtor rural, informou estar residindo em uma mansão no Alphaville I, o mais chique.
A comunicação faz parte de medida cautelar de comparecimento mensal em juízo como uma forma alternativa à prisão preventiva. No decorrer das investigações da Operação Tromper, Claudinho chegou a ser preso duas vezes. Acabou solto com uso de tornozeleira e, atualmente, apenas comparece em juízo e mantém seu endereço atualizado para permanecer à disposição da Justiça.
Apesar de manter estilo de vida luxuoso, no ano passado, a Justiça tentou bloquear valores em suas contas e encontrou apenas R$ 410,62, levantando a suspeita de esvaziamento de patrimônio para evitar penhoras no decorrer da ação penal por eventual condenação de ressarcimento aos cofres públicos.
No entanto, o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Messod Azulay Neto disse que o fato de haver apenas R$ 410,62 na conta não é conclusão de que o político a estaria esvaziando, principal motivo que baseou sua segunda prisão.
Enquanto isso, a ação penal referente à 4ª fase da Tromper segue para fase de audiências e contará com o depoimento de um dos delatores, o ex-chefe de compras municipal Tiago Basso da Silva. São 21 réus por fraudar contratos de obras em Sidrolândia investigados na Operação Tromper.
Lista de réus
- Cláudio Jordão de Almeida Serra Filho – ex-secretário apontado como líder da organização criminosa;
- Carmo Name Júnior – ex-assessor parlamentar de Claudinho Serra;
- Ueverton da Silva Macedo – empresário de Sidrolândia;
- Ricardo José Rocamora Alves – empresário de Sidrolândia;
- Thiago Rodrigues Alves – ex-servidor do Governo do Estado ligado à Agesul e empreiteiras;
- Milton Matheus Paiva Matos – advogado de Sidrolândia;
- Ana Cláudia Alves Flores – ex-pregoeira da Prefeitura de Sidrolândia;
- Marcus Vinícius Rossentini de Andrade Costa – ex-chefe de licitações da Prefeitura de Sidrolândia;
- Luiz Gustavo Justiniano Marcondes – empresário de Sidrolândia;
- Jacqueline Mendonça Leiria – empresária de Sidrolândia;
- Heberton Mendonça da Silva – empresário e ex-assessor parlamentar de Claudinho Serra;
- Roger William Thompson Teixeira de Andrade – empresário de Sidrolândia;
- Valdemir Santos Monção – assessor parlamentar na Alems;
- Cleiton Nonato Correia – empresário dono da GC Obras de Pavimentação;
- Edmilson Rosa – empresário dono da AR Pavimentação;
- Fernanda Regina Saltareli – empresária sócia da CGS Pavimentações e Terraplanagem;
- Maxilaine Dias de Oliveira – empresária da Master Blocos;
- Roberta de Souza – ex-servidora de Sidrolândia;
- Yuri Morais Caetano – ex-estagiário do MPMS em Sidrolândia;
- Rafael Soares Rodrigues – ex-secretário de Educação de Sidrolândia;
- Paulo Vitor Famea – ex-secretário-adjunto da Assistência Social de Sidrolândia;
- Saulo Ferreira Jimenes – empresário de Sidrolândia.
Primeiros condenados por fraudes em Sidrolândia
Em agosto do ano passado, esse mesmo juiz proferiu as primeiras condenações da Tromper, em que cinco empresários e dois servidores municipais foram condenados a 111 anos e 11 meses de prisão por crimes de corrupção, peculato, organização criminosa e também fraude em licitações.
A decisão também determinou ressarcimentos dos cofres públicos no valor de R$ 349.953,02, com juros e correção monetária.
De acordo com as sentenças aplicadas pelo juiz Bruce Henrique, o empresário Ueverton da Silva Macedo, o Frescura, foi o réu punido com maior condenação. Ele terá de cumprir 37 anos, 10 meses e 8 dias de prisão.
Na sequência, o também empresário Ricardo José Rocamora Alves foi sentenciado a 28 anos, três meses e 20 dias de prisão. Outras sentenças:
- Roberto da Conceição Valençuela, outro empresário, condenado a 11 anos e 6 meses de prisão;
- O empresário Odinei Romero de Oliveira, sentenciado a 4 anos, 9 meses e 18 dias de prisão;
- Ewerton Luiz de Souza Luscero, também empresário, condenado a 15 anos e 9 meses de prisão;
- O servidor público Flávio Trajano Aquino dos Santos, condenado a 8 anos e 4 meses de prisão;
- César Augusto dos Santos Bertoldo, servidor público, condenado a 5 anos, 6 meses e 20 dias de prisão.
Claudinho foi preso e denunciado em nova fase da Tromper
Claudinho foi preso no dia 5 de junho de 2025, junto do assessor Carmo Name Júnior e do empreiteiro Cleiton Nonato Correia (GC Obras). Todos já estão soltos e livres de tornozeleira.
O argumento levantado pela investigação que baseou a prisão do político foi justamente o fato de ele ter apenas R$ 410 na conta, enquanto morava em condomínio de alto padrão e andava com carros de luxo.
“A denotar na plena possibilidade da permanência do envolvimento ilícito entre os agentes delitivos no percebimento ou repasse de vantagens indevidas oriundas dos contratos ilegais firmados anteriormente, que sob as mesmas linhas do juízo a quo, eleva o entendimento de que a liberdade provisória, ainda que aplicada mediante cautelares antes concedidas, não surtiu os efeitos necessários”, dizia a fundamentação do pedido.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






