O empresário Francisco Elivaldo de Souza, o Eli Souza, dono do grupo Impacto Mais, recorre ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) para tentar se livrar da prisão preventiva em Mato Grosso do Sul. Ele foi preso na Operação Collusion, do Gaeco (Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado), em janeiro de 2026.
A defesa de Eli tentou reverter a prisão nas esferas estaduais, mas sem sucesso. Por isso, subiu o pedido para o STJ, na semana passada. Em meados de julho, três acusados tiveram as prisões prorrogadas — entre eles, Eli. A decisão é do juiz de Direito substituto Ricardo Adelino Suaid, da Vara Única da Comarca de Terenos.
A decisão também manteve a prisão de Eudmar Rogers Nolasco de Faria, braço direito de Eli e diretor financeiro do grupo Impacto, e do empresário Francisco das Chagas Veras Nascimento, apontado por participar de licitações de forma simulada, para direcionar o contrato à empresa de Eli Souza.
A manutenção das prisões ocorreu devido ao prazo. Isso porque a legislação brasileira prevê que prisões preventivas devem ser reavaliadas a cada três meses.
O magistrado ressaltou que nada mudou do ponto de vista fático desde a última decisão. Portanto, os motivos que levaram à prisão cautelar inicialmente — como a garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal ou asseguração da aplicação da lei penal — continuam válidos.
Conforme a denúncia do MP, o grupo liderado por Eli Souza pagava propina para agentes públicos para vencer licitação de comunicação em Terenos. Em um desses casos, a Prefeitura de Terenos teria comprado 500 revistas superfaturadas da Impacto Mais.
Também tornaram-se réus com Eli:
- Geraldo Alves Pereira – empresário;
- Vanessa Guimarães Pereira – filha de Geraldo que administrava parte dos negócios do pai;
- Cleuza Maria Seixas Guimarães – esposa de Geraldo e empresária;
- Eudmar Rogers Nolasco de Faria – diretor comercial do grupo Impacto;
- Antônio Henrique Ocampos Ribeiro – empresário;
- Leandro de Souza Ramos – empresário;
- Geraldo Alves Pereira – empresário;
- Francisco das Chagas Veras do Nascimento – empresário;
- Neide Rodrigues Ferreira – empresária.
Leandro Souza Ramos foi preso novamente recentemente.
Gaeco deflagra duas operações contra fraude em licitações da Câmara e da Prefeitura de Terenos
Em 21 de janeiro de 2026, o Gaeco/MPMS (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) e a Promotoria de Justiça de Terenos deflagraram as operações Collusion e Simulatum contra fraudes em licitações da Câmara e da Prefeitura de Terenos. Policiais do BPMChoque (Batalhão de Polícia Militar de Choque) deram apoio à ação.
Foram cumpridos seis mandados de prisão e 23 de busca e apreensão pela Collusion e sete mandados de busca e apreensão pela Simulatum, em Terenos, Campo Grande e Rio Negro.
A Operação Collusion investiga uma organização criminosa que fraudava licitações e contratos públicos, além de cometer crimes relacionados. Os investigados se associaram para obter contratos relacionados a materiais e serviços gráficos firmados com o município e a Câmara Municipal de Terenos, desde o ano de 2021.
Já a Operação Simulatum identificou um grupo que fraudava contratos de publicidade e locação de equipamentos de som firmados com a Câmara Municipal de Terenos, também desde o ano de 2021.
A expressão em inglês “Collusion” significa “conluio” e remete à ideia de acordos ilícitos realizados entre os investigados com o objetivo de fraudar contratos públicos.
Já o nome “Simulatum“, que, no latim, quer dizer “simulado”, refere-se à forma de atuação dos investigados, que simulavam competição entre si com o objetivo de praticar os crimes em questão.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)









