Enquanto o plano de saúde da Santa Casa de Campo Grande acumulava um prejuízo de mais de R$ 3,5 milhões, a presidente Alir Terra Lima realizava repasses milionários para empresas ligadas ao próprio sócio particular. Ao todo, foram destinados cerca de R$ 9,6 milhões para esses CNPJs.
Tudo está sendo apurado no contexto da Operação Antidotum, que prendeu Alir Terra Lima, além de Rinaldo Hakme Romano (diretor financeiro do hospital), Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa (diretor financeiro adjunto), Alessandro Dias Junqueira (diretor administrativo) e Maurício Aparecido Benites (empresário).
Conforme relatório de investigação do Ministério Público, a contratação dessas empresas favoreceu interesses privados em detrimento da saúde financeira do maior hospital de Mato Grosso do Sul.
Mesmo com o rombo nas contas da instituição aumentando, os pagamentos às empresas do advogado Paulo da Cruz Duarte continuaram sendo feitos normalmente.
A investigação identificou que, das nove empresas registradas de Paulo da Cruz, ao menos cinco delas possuem contrato com a Santa Casa. Assim, o MP classifica que o advogado construiu uma “estrutura empresarial voltada a dominar diferentes áreas da Santa Casa Saúde, fragmentando atividades jurídicas, comerciais, financeiras, administrativas, assistenciais e tecnológicas entre pessoas jurídicas submetidas ao mesmo núcleo de controle”.
Outro ponto que chamou atenção do Gaeco foi a transferência de R$ 200 mil feita por Paulo da Cruz para a conta de Alir Terra, “evidenciando fluxo financeiro pessoal entre a diretora-presidente da Santa Casa e o empresário cujas empresas passaram a ser sucessivamente inseridas na Operadora Santa Casa Saúde”.
A reportagem procurou o escritório do advogado Paulo da Cruz Duarte para se manifestar sobre as acusações do relatório, mas não houve resposta.
Após audiência de custódia, a defesa de Alir Terra se pronunciou, representada pelo advogado Murilo Marques: “Alir está bem, está indignada com as imputações. Enquanto presidente da Santa Casa, ela não realiza nenhum pagamento, não é ordenadora de despesa, então ela está bem confusa com todas as acusações. A gente está começando a preparar a defesa dela para, no início da semana, fazer o pedido de revogação da prisão preventiva”.
Em relação às acusações de contratações por meio da operadora de saúde, o advogado disse que “a Alir não tem gestão sobre a operadora do plano de saúde”.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)







