O desembargador Waldir Marques negou habeas corpus impetrado pela defesa do empresário Mauricio Aparecido Benites, da RedValue. Ele é um dos seis presos da Operação Antidotum, do Gaeco, que revelou desvio milionário na Santa Casa.
Mauricio está recolhido no Centro de Triagem de Campo Grande desde 11 de setembro de 2026, acusado de envolvimento em supostas irregularidades e desvios num contrato de digitalização do acervo documental da Associação Beneficente Santa Casa.
Estão presos também Alir Terra, ex-presidente da Santa Casa; os ex-diretores Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa (ex-diretor-adjunto de finanças do hospital), Rinaldo Hakme Romano (ex-diretor financeiro), Alessandro Dias Junqueira (ex-diretor administrativo), Monique Gregório de Oliveira (ex-coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística).
Segundo as investigações do MPMS (Ministério Público Estadual), teriam ocorrido fraudes na pesquisa de preços, superfaturamento e repasses indevidos relacionados ao serviço de digitalização.
A denúncia apresentada aponta que o empresário teria atuado ativamente no direcionamento da cotação de preços, na elaboração de minutas contratuais e em negociações diretas com administradores para a liberação acelerada de pagamentos e aditivos.
Em habeas corpus impetrado pelo advogado Fábio Castro Leandro, a defesa alega constrangimento ilegal e sustenta que as premissas numéricas que embasaram a prisão preventiva são equivocadas e extraídas de erros do próprio Ministério Público.
Ao analisar o pedido liminar, o desembargador Waldir Marques considerou que não ficou demonstrada ilegalidade patente que justificasse a soltura imediata do empresário antes do julgamento do mérito pela turma.
O magistrado salientou que a decisão do juízo de 1º grau motivou adequadamente a manutenção da custódia cautelar ao evidenciar elementos que ligam o acusado ao direcionamento da cotação e a tratativas relativas a aditivos e documentos fiscais.
Operação Antidotum
Em 11 de setembro de 2026, o Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) realizaram a Operação Antidotum contra um suposto esquema de fraude em contrato da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande.
As investigações apontaram possíveis fraudes e desvios de dinheiro em contrato firmado pela ABCG (Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande) — mantenedora da unidade — para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, no qual foram efetuados pagamentos elevados sem a devida prestação de serviços.
O Gecoc constatou, ainda, irregularidades em contratos celebrados pela operadora de plano de saúde Santa Casa Saúde com diversas empresas do mesmo grupo. Essas empresas, cujos proprietários tinham ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, estava desocupado.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








