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Transparência

Desvio de R$ 18 milhões: ré na Gutenberg é apontada como operadora de propina na Dirty Pix

Gaeco revelou esquema que desviou recursos públicos da saúde no Hospital Municipal de Sidrolândia
Gabriel Maymone -
Desvio de R$ 18 milhões: ré na Gutenberg é apontada como operadora de propina na Dirty Pix
Jessyca Burgatt é citada no relatório de investigação do Gaeco sobre a Operação Dirty Pix. (Reprodução)

A empresária Jessyca Duarte Burgatt, ré na Operação Gutenberg, aparece como operadora de propina no esquema da Dirty Pix (Pix Sujo), que desviou mais de R$ 18 milhões do Hospital Beneficente Elmíria Silvério Barbosa, de , cidade a 70 km de .

Conforme o Ministério Público, Jessyca recebeu R$ 100 mil da empresa Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos Ltda. (CNPJ 20.820.379/0001-93) e repassou parte desse valor (R$ 50,7 mil) a dois investigados no esquema: o ex-assessor político e um dos operadores do esquema, Júlio Cesar Alves da Silva — que está preso — e a servidora municipal Adriele Nogueira Trelha, diretora administrativa.

As investigações do Gaeco apontam que, na época, Jessyca tinha sociedade com Adelto dos Santos Soares, que era um dos sócios da Pharbox. Os dois também possuíam outros negócios em comum, como a Alpes Comércio de Alimentos Ltda.

No entanto, entre julho e agosto deste ano — após a prisão de Jéssyca na Gutenberg —, ela e Adelto desfizeram as sociedades em comum, conforme dados disponibilizados pela Receita Federal.

Dessa forma, o Gaeco identificou que Jessyca realizou sete transferências via Pix para Júlio Cesar, entre 14 de setembro de 2022 e 25 de janeiro de 2023, que totalizaram R$ 43,8 mil. Já entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, ela fez três Pix de R$ 2,3 mil para Adriele.

Para o Gaeco, “essas operações sugerem uma triangulação financeira entre os investigados, a empresa Pharbox, Jessyca Duarte Burgatt e Júlio César Alves da Silva e Adriele Nogueira Trelha, estando a pessoa de Jessyca Duarte atuando como intermediária financeira da empresa Pharbox, sendo os reais beneficiários Júlio César e Adriele Trelha“, diz trecho do relatório de investigação.

No diagrama abaixo, o MP estabelece a conexão financeira e societária entre os citados, acrescentando transações diretas entre Adelto Soares e Júlio César que somam R$ 162 mil.

Em outro trecho do documento, o Gaeco diz que as transferências em valores redondos — em sua grande maioria — com habitualidade e repetição “apontam para a existência de operações suspeitas em razão justamente dessas características e da condição econômica dos investigados”.

Diagrama do MP mostra o caminho do dinheiro após o pagamento do Hospital de Sidrolândia para a Pharbox. (Reprodução)

À reportagem, o advogado Perceu Jorge, que representa Jéssyca, informou que “ela ainda não foi citada e que assim que tomarmos conhecimento formal das acusações, daremos um posicionamento adequado”.

A reportagem não conseguiu contato com as defesas de Adelto e Júlio César. O espaço segue aberto para posicionamento.

Caminho do Pix: como R$ 10 milhões viraram propina para políticos

Investigação do Ministério Público revelou como quase R$ 10 milhões repassados pelo Hospital Municipal de Sidrolândia para duas empresas foram parar nas mãos de políticos, servidores públicos e diretores da instituição.

A Operação Dirty Pix levou três pessoas para a cadeia: o presidente do Hospital Municipal Beneficente Elmíria Silvério Barbosa, Jacob Breure, a policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho e o ex-assessor político Júlio César Alves da Silva.

Os relatórios periciais mostram que as empresas Farma Medical e NSR Comércio (Pharbox), ambas com sede em , serviram como ponte para a distribuição de propina e lavagem de dinheiro no final de 2022.

O dinheiro é proveniente de convênios públicos utilizados pelo hospital para obras de reforma e compras de suprimentos médicos. No entanto, o MP aponta que o grupo criou uma ‘gordura’ para desviar a maior parte desses recursos.

Os recursos públicos passavam pelas empresas e eram pulverizados para intermediários até chegarem aos beneficiários do esquema.

Gutenberg: Jéssyca e o pai foram denunciados por esquema que desviou R$ 27 milhões

Gaeco apreendeu mais de R$ 200 mil em espécie durante a Operação Gutenberg (Divulgação, Gaeco)

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A Justiça aceitou denúncia do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e tornou réus 17 investigados por usarem a regulação estadual de saúde como balcão de negócios para forçar prefeituras do Estado a comprar livros didáticos da Editora Avante, controlada pela família Jafar.

Tudo foi apurado em investigação que começou em 2023 e culminou na Operação Gutenberg, deflagrada em 7 de julho de 2026. No total, foram pedidas as prisões de 16 desses investigados, com 15 mandados cumpridos e um ainda pendente.

Na ocasião, Jéssyca chegou a ser presa, mas foi liberada em seguida após alegar ter filho pequeno para amamentar.

O pai dela, Ed Carlo Brito Burgatt — ex-chefe da regulação estadual de saúde — continua preso. Ele é acusado de usar o cargo para pressionar prefeitos a comprarem os livros, ‘trancando’ procedimentos de saúde de pacientes desses municípios.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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