A Editora Avante, investigada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) por fraudes em contratos em prefeituras de Mato Grosso do Sul, fica em uma ‘salinha’ em prédio comercial em um dos principais polos empresariais e financeiros de São Paulo: a Avenida Paulista.
O Gaeco cumpriu mandado de busca e apreensão no local ao deflagrar a Operação Gutenberg no último dia 7 de julho. Esse é o último endereço da Editora Avante, principal empresa usada no esquema que desviou R$ 27 milhões.
O empreendimento também já foi sediado em São Bernardo do Campo e Osasco. Consta na relação dos investigadores que a empresa está no nome de Valesca Thais Albuquerque Teixeira, que também foi alvo de busca e apreensão do Gaeco.
Entretanto, outros dois investigados já passaram pelo quadro de donos da empresa: Rhayane Souza Fanaia e Joatan Gomes Peixoto, ambos presos na operação. Os investigadores apontam que todos são laranjas de Rossana Paroschi Jafar, matriarca do Clã Jafar, que era o ‘cérebro’ do esquema.
Imóvel comercial
Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, a sala onde consta como sede da Avante pouco tinha ares de empreendimento com capital de R$ 400 mil e dezenas de contratos milionários no interior de MS.
O local não comportaria o funcionamento de uma editora. Segundo consulta em sites imobiliários, os aluguéis variam entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil para salas simples, com um cômodo, banheiro e cozinha.

Balcão de negócios
O esquema se valia da participação de Ed Carlo Britto Burgatt, ex-chefe da regulação da Saúde no Estado — que está preso. Ele usava a liberação de exames e internações como ‘moeda de troca’ para forçar gestores públicos a comprarem livros das editoras do grupo.
O Gaeco identificou indícios de irregularidades e fraudes no uso do mecanismo de inexigibilidade de licitação: “A justificativa de que os materiais fornecidos seriam de edição e publicação exclusivas da EDITORA AVANTE não passou de tentativa de conferir ares de legalidade às fraudulentas contratações milionárias”.
Para os investigadores, a dentista Rossana Paroschi Jafar seria a verdadeira dona da Editora Avante, aberta inicialmente em nome de sua então nora, Rhayane Souza Fanaia.
Caminho do dinheiro
As investigações do Gaeco mostraram que o dinheiro que caía na conta da editora como pagamento das prefeituras era escoado para os demais integrantes do grupo criminoso.
Rhayane obedecia às ordens do clã Jafar — apontado como o líder do esquema de corrupção, tendo como membros a matriarca Rossana Jafar e os filhos, Olívia e Pedro, que estão presos, além de Giovanni, ex-marido de Rhayane.
Os saques seriam realizados por Rhayane e distribuídos aos demais membros da organização criminosa a mando do clã Jafar, como destaca trecho do relatório de investigação do Gaeco.
Reportagem do Jornal Midiamax revelou detalhes de como Rhayane, uma estudante, dona de brechó, virou ‘laranja’ da sogra para ficar com cerca de 1% do lucro do esquema de corrupção.

Clã Jafar comandava esquema
O relatório de investigação do Gaeco aponta que, após a morte em 2021 do patriarca da família Jafar, Mirched, por covid, a viúva, Rossana Jafar, e os filhos, Olívia, Giovanni e Felipe, abriram outros CNPJs para continuar com operações de corrupção.
A Gráfica Alvorada, que ainda pertence ao clã, é implicada em lavagem de dinheiro no contexto da Operação Lama Asfáltica. Quebra de sigilo fiscal apontou que o clã recebia diversas transferências em sua conta pessoal, vindas da Editora Avante, a qual firmava contratos com os municípios.
Para o Gaeco, a matriarca da família, Rossana, era a verdadeira cabeça por trás do esquema e da Editora Avante — que levava o nome da então esposa de Giovanni, Rhayne Fanaia.
Durante o cumprimento dos mandados, Rossana foi flagrada com munições intactas e também responde pelo crime de posse de arma de fogo. Foram apreendidos mais de R$ 200 mil em espécie e R$ 3 milhões em cheques durante toda a ação.
Operação Gutenberg
O Gaeco cumpriu 16 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão, para desmantelar esquema que fazia da Central Estadual de Regulação um ‘balcão de negócios’.
Confira a lista atualizada de presos na operação:
- Rossana Paroschi Jafar – dentista e dona de gráfica;
- Olívia Paroschi Jafar – médica e dona da Clínica Ross, que também foi alvo;
- Felipe Paroschi Jafar – ex-comissionado na Agesul;
- Giovanni Paroschi Jafar – empresário;
- Ed Carlo Britto Burgatt – ex-chefe da regulação de saúde do Estado (Core);
- Jéssyca Duarte Burgatt – filha de Ed e dona da Capital Saúde;
- Joatan Gomes Peixoto – empresário;
- Matheus Oliveira Peixoto – empresário;
- Francisco Anízio dos Santos – empresário;
- Douglas Henrique de Melo – empresário;
- Paulo Rogério de Melo – empresário e pai de Douglas;
- Gabriel Taquino de Paula – advogado;
- Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, o Junior Vasconcelos – ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil.
Segundo o MPGO (Ministério Público de Goiás), em Abadiânia, foram cumpridos 1 mandado de prisão preventiva — que seria de Rhayane — e 1 mandado de busca e apreensão.
A Operação Gutenberg visa combater organização criminosa acusada de fraude em licitações, corrupção ativa, corrupção passiva, além de lavagem de capitais e outros crimes. O grupo agia em Campo Grande e tinha atuação espalhada em outras cidades do Estado.
✅ Siga o Jornal Midiamax nas redes sociais
Você também pode acompanhar as últimas notícias e atualizações do Jornal Midiamax direto das redes sociais. Siga nossos perfis nas redes que você mais usa. 👇
É fácil! 😉 Clique no nome de qualquer uma das plataformas abaixo para nos encontrar:
Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp, Bluesky e Threads.
💬 Fique atualizado com o melhor do jornalismo local e participe das nossas coberturas!
(Revisão: Nichole Munaro)









