O despachante David Cloky Hoffaman Chita e a ex-comissionada Yasmin Osório Cabral devem ser ouvidos pela juíza Eucélia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal, sobre esquema de fraudes no Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul).
Os dois chegaram a ser presos no decorrer do processo. Yasmin foi liberada e usou tornozeleira por alguns meses. Já David ficou um tempo foragido, depois foi preso e, agora, está sob monitoramento eletrônico.
Havia expectativa de que os dois fossem ouvidos em audiência realizada no mês passado, mas ficou faltando uma testemunha considerada importante para o caso.
Após a oitiva da testemunha, a juíza irá passar para o interrogatório dos réus.
Conforme investigação do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), David teria conseguido liberar documentações de veículos com restrições. Yasmin recebia propina para, clandestinamente, dar baixas em caminhões com restrições, em fraude cometida em conjunto com o despachante David Cloky Hoffaman Chita.
De acordo com o relatório de investigação policial, David pagava Yasmin pelos serviços. Foi apurado que ela ganhou um iPhone 15 Pro Max — que foi entregue a ela em uma cesta dentro do Detran-MS —, joias e eletrônicos, como ar-condicionado e televisão, além de valores em dinheiro no Pix.
A 1ª audiência do caso aconteceu no fim de janeiro. Na ocasião, as defesas de David e Yasmin preferiram não dar muitos detalhes à reportagem.
O esquema consiste em ‘esquentar’ documentação de semirreboques para inclusão do 4º eixo. O dono do veículo é cooptado e aceita pagar um valor ao despachante, que aciona seu contato no órgão para alterar a documentação, com a divisão da propina.
Polícia investiga mais de 4 mil fraudes no Detran-MS
No início do ano, a Corregedoria do Detran-MS identificou que foram realizadas mais de 4 mil fraudes no período de cinco anos, entre 2020 e 2024. O relatório foi repassado à Polícia Civil para investigação.
Conforme informado ao Jornal Midiamax pelo corregedor-geral do órgão, delegado Odorico Ribeiro de Mendonça e Mesquita, houve uma força-tarefa para identificar os casos. Todos são de alterações irregulares de veículos feitas no sistema do órgão.
Há participação de despachantes e também de cerca de 30 servidores, conforme o corregedor-geral. Segundo Mendonça, “quase sempre” os servidores contavam com a parceria de algum despachante.
Dentre as fraudes identificadas, estão a transferência de cadastro do veículo para MS, vistoria veicular, alteração de característica (inclusão de eixo) e transferência de propriedade, sem que o veículo sequer estivesse no Estado.
O esquema de propinas e fraude no sistema de cadastro do Detran-MS não é novo e foi denunciado antecipadamente em reportagem do Núcleo de Jornalismo Investigativo do Jornal Midiamax, em 2020. A Operação Gravame confirmou as denúncias e até chegou a alguns servidores, mas a suposta blindagem de políticos na atuação do MPMS manteve o grupo a salvo.
Algumas das operações deflagradas pela Polícia Civil contra a corrupção no Detran-MS são Miríade, Resfriamento, Gravame e Quarto Eixo.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)










