O desembargador Waldir Marques, da 2ª Câmara Criminal, negou liminarmente HC (habeas corpus) ao advogado Gabriel Taquino de Paula. Ele foi preso no dia 7 de julho pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), durante a Operação Gutenberg, a qual revelou esquema que desviou R$ 27 milhões de prefeituras em Mato Grosso do Sul.
Conforme publicado no Diário da Justiça desta quinta-feira (16), o magistrado entendeu que os argumentos apresentados pela defesa do advogado não são suficientes para conceder a liberdade.
O pedido foi negado liminarmente, ou seja, de forma provisória. Agora, o desembargador solicitou que a juíza que decretou a prisão de Gabriel, May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias, forneça detalhamento sobre o caso.
Além disso, o magistrado solicitou parecer do Ministério Público. Somente depois disso, o HC será julgado pelo colegiado da 2ª Câmara Criminal.
Dos 15 presos até o momento na Gutenberg, apenas Jéssyca Duarte Burgatt conseguiu prisão domiciliar para poder amamentar o filho pequeno. Já o empresário Heyder Bartz está foragido.
Conversa entre Gabriel e chefe da regulação: ‘Eu tranco tudo aqui’
Em uma das conversas, os investigadores flagraram Ed Carlo Britto Burgatt, ex-chefe da regulação estadual de saúde, e o advogado Gabriel Taquino dizendo que estavam com dificuldade para fechar contrato em Nova Alvorada do Sul.
Por conta da situação, o então chefe da regulação diz que “vai trancar” o fluxo do município no setor e “ligar para o prefeito”. “Se não for pela gente, ninguém ganha”, completa.
Taquino explica a situação para Ed Carlo, que diz: “Eu tranco tudo aqui e não ajudo eles em nada. Saúde zero”. Para a investigação, a troca de mensagens demonstra a troca de favores para manter o esquema operando.
Saúde usada como moeda de troca
Grupo criminoso acusado de desviar R$ 27 milhões em recursos públicos utilizava-se da estrutura da saúde pública para forçar a venda de livros em Mato Grosso do Sul. Os envolvidos foram alvo da Operação Gutenberg.
Conforme o Gaeco, empresários cooptavam servidores por meio do pagamento de propina para condicionar a liberação de serviços de saúde, como a realização de exames médicos e até a disponibilização de leitos em hospitais, para obrigar gestores locais a comprarem o material impresso das empresas do grupo.
Para os investigadores, o modus operandi era um verdadeiro “balcão de negócios” na estrutura da saúde, em que os integrantes do grupo usavam a liberação de exames como ‘moeda de troca’. O objetivo do esquema era obrigar o Poder Público a adquirir esses livros impressos.
Devido a essa forma de atuação, o Gaeco cumpriu mandados em diversos endereços, inclusive no Core (Complexo Regulador Estadual), onde as equipes apreenderam malotes.
Confira a lista atualizada de presos na operação:
- Rossana Paroschi Jafar – dentista e dona de gráfica;
- Olívia Paroschi Jafar – médica e dona da Clínica Ross, que também foi alvo;
- Felipe Paroschi Jafar – ex-comissionado na Agesul;
- Giovanni Paroschi Jafar – empresário;
- Rhayane Souza Fanaia – ‘laranja’ do clã Jafar e ex-esposa de Giovanni;
- Ed Carlo Britto Burgatt – ex-chefe da regulação de saúde do Estado (Core);
- Jéssyca Duarte Burgatt – filha de Ed e dona da Capital Saúde;
- Joatan Gomes Peixoto – empresário;
- Matheus Oliveira Peixoto – empresário;
- Francisco Anízio dos Santos – empresário;
- Douglas Henrique de Melo – empresário;
- Paulo Rogério de Melo – empresário e pai de Douglas;
- Gabriel Taquino de Paula – advogado;
- Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, o Junior Vasconcelos – ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil.
- Geancarlo Leal de Freitas – advogado e servidor público.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)









