A Justiça negou pedido de liberdade provisória de Ed Carlo Britto Burgatt, ex-chefe da regulação estadual de saúde, acusado de operar esquema que desviou R$ 27 milhões da saúde e da educação, revelado pela Operação Gutenberg, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
A defesa tenta série de recursos para tirá-lo da prisão. Neste caso, a advogada Fábia Nakazato alegou não haver contemporaneidade em manter a prisão do servidor público, já que os fatos teriam acontecido entre 2022 e 2024.
Ao negar os embargos, o juiz Davis Ecco lembra que a própria defesa não fez a mesma alegação em recursos anteriores e os fatos narrados fundamentaram a habitualidade das condutas e o risco de deixar o réu solto, possibilitando ao acusado, por exemplo, voltar a praticar os delitos, coagir testemunhas ou ainda fugir. Na semana passada, a Justiça havia negado pedido de liberdade de Ed Carlo.
As investigações apontam que Ed Carlo utilizava o cargo para pressionar prefeituras a comprar livros da Editora Avante (CNPJ 44.284.055/0001-46), controlada pela família Jafar.
Em uma das conversas com outro investigado, Ed Carlo revelou que poderia ‘trancar tudo’ em relação à liberação de exames e vagas na saúde para prefeituras que não estavam cedendo ao grupo.
Ed Carlo ameaçava trancar processos de saúde de municípios
Em uma das conversas, os investigadores flagraram Ed Carlo e o advogado Gabriel Taquino — também alvo da operação — dizendo que estavam com dificuldade para fechar contrato em Nova Alvorada do Sul.
Por conta da situação, o então chefe da regulação diz que “vai trancar” o fluxo do município no setor e “ligar para o prefeito”. “Se não for pela gente, ninguém ganha”, completa.
Taquino explica a situação para Ed Carlo, que diz: “Eu tranco tudo aqui e não ajudo eles em nada. Saúde zero”. Para a investigação, a troca de mensagens demonstra a troca de favores para manter o esquema operando.
Para isso, recebia quantias vultosas da Avante — transferências que eram função de Rhayane Souza Fanaia (nome registrado na editora, mas que era uma peoa no esquema do Clã Jafar).
Lista de presos e soltos na Gutenberg:
- Rossana Paroschi Jafar (presa) – dentista e dona de gráfica;
- Olívia Paroschi Jafar (prisão domiciliar) – médica e dona da Clínica Ross, que também foi alvo;
- Felipe Paroschi Jafar (preso) – ex-comissionado na Agesul;
- Giovanni Paroschi Jafar (preso) – empresário;
- Rhayane Souza Fanaia (presa) – ‘laranja’ do clã Jafar e ex-esposa de Giovanni;
- Ed Carlo Britto Burgatt (preso) – ex-chefe da regulação de saúde do Estado (Core);
- Jéssyca Duarte Burgatt (prisão domiciliar)– filha de Ed e dona da Capital Saúde (prisão domiciliar);
- Joatan Gomes Peixoto (prisão domiciliar) – empresário;
- Matheus Oliveira Peixoto (preso) – empresário;
- Francisco Anízio dos Santos (preso) – empresário;
- Douglas Henrique de Melo (preso )– empresário;
- Paulo Rogério de Melo (preso) – empresário e pai de Douglas;
- Gabriel Taquino de Paula (preso) – advogado;
- Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, o Junior Vasconcelos (preso) – ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil.
- Geancarlo Leal de Freitas (prisão revogada) – advogado e servidor público;
- Heyder Bartz (foragido) – empresário.
Denúncia
A Justiça aceitou denúncia do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e tornou réus 17 investigados na Operação Gutenberg por usarem a regulação estadual de saúde como balcão de negócios para forçar prefeituras do Estado a comprar livros didáticos da Editora Avante, controlada pela família Jafar.
A decisão é do juiz Deyvis Ecco, da 2ª Vara Criminal de Competência Residual de Campo Grande: “Ficam as partes intimadas da decisão de f. 2282-2288: […] Diante do exposto, RECEBO a denúncia […]”, diz trecho da decisão. O processo segue em sigilo.
Tudo foi apurado em investigação que começou em 2023 e culminou na Operação Gutenberg, deflagrada em 7 de julho de 2026. No total, foram pedidas as prisões de 16 desses investigados, com 15 mandados cumpridos e um ainda pendente.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)







