O interventor que atua no Consórcio Guaicurus desde junho, Aléxandro de Oliveira, afirmou que a aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) foi um “passo importante” para a efetivação da compra das empresas pelo Grupo HP Mobilidade.
O Cade aprovou a compra do Consórcio — empresa que operou e sucateou o transporte coletivo de Campo Grande por 14 anos — pelo grupo goiano. Agora, o aval representa um passo mais próximo da mudança no serviço oferecido à população da Capital.
“Essa aprovação é um passo importante para eventual finalização da venda do Consórcio, mas existem outras condições. No momento, não muda nada na intervenção”, disse Aléxandro à reportagem.

Ao Jornal Midiamax, Aléxandro afirmou que a junta interventora tem reuniões semanais com a prefeita Adriane Lopes (PP) e que uma futura aprovação depende de condições impostas pela chefe do Executivo.
Adriane já adiantou que só aceita a nova empresa em Campo Grande se os investimentos incluírem a renovação da frota de ônibus e a implantação do sistema de ar-condicionado nos novos veículos.
Além disso, no processo judicial que culminou na intervenção, foi protocolado um pedido para que os novos ônibus sejam elétricos ou movidos a etanol, para reduzir a emissão de poluentes no meio ambiente. Atualmente, os veículos da frota do Consórcio Guaicurus são movidos a diesel.

Aprovação
Para convencer o Cade a liberar a compra do consórcio que reinou em Campo Grande, o Grupo HP afirma ter capacidade financeira para promover ‘novos ciclos de investimentos’ no transporte público.
“Aprovação sem restrições”, diz o parecer do órgão, que avaliou possíveis prejuízos ao ambiente concorrencial. Isso porque o Grupo HP Mobilidade atua na região metropolitana de Goiânia e não tem participação alguma na região de Campo Grande.

Infraestrutura
Outro ponto cobrado pela administração municipal — e que pode ter investimento da HP — são os terminais de transbordo e os pontos de ônibus. Adriane Lopes já indicou que quer as reformas e a modernização dos oito prédios da Capital.
Campo Grande ainda possui pontos de ônibus sem abrigo, apenas com indicação de parada — as famosas estacas de madeira laranjas. Como parte da modernização, a empresa pode renovar esses locais.
Outro ponto de dúvida é sobre o quadro de funcionários atual do Consórcio Guaicurus, o qual deve ultrapassar a marca de mil pessoas, entre motoristas, mecânicos e administrativos, que fazem parte da infraestrutura operacional.
O serviço não pode ser interrompido, então a nova empresa assumiria os contratos dos funcionários, incluindo as dívidas com fornecedores e todas as pendências do Consórcio Guaicurus.
Conforme a Lei de Sucessão Trabalhista, os contratos de trabalho são transferidos automaticamente para a nova gestão, mantendo o tempo de serviço, salários e direitos adquiridos. Além disso, se começar a operar, a empresa deverá ter funcionários, maquinário e veículos.
Entretanto, caso a HP queira enxugar ou renovar o quadro, há a possibilidade de demitir funcionários, mas a empresa será obrigada a pagar todas as verbas rescisórias integrais.
A nova operadora também poderá modernizar a operação, implementando sistemas próprios de telemetria, roteirização inteligente e novos aplicativos de bilhetagem.
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(Revisão: Nichole Munaro)








