A MSGás (Companhia de Gás do Estado de Mato Grosso do Sul) encerrou o exercício de 2025 com lucro líquido de R$ 49,5 milhões, superando em 16% a meta orçada de R$ 42,7 milhões. O resultado representa um crescimento de 13,9% em relação ao ano anterior (R$ 43,5 milhões).
No entanto, comparando os dados do relatório de metas do Conselho de Administração ao Balanço Contábil daquele período, demonstra-se que o desempenho financeiro positivo terminou registrado de forma correlata à frustração na execução de investimentos e dificuldades em segmentos importantes do mercado consumidor.
Resultado foi influenciado por adiamento de contas robustas
O ponto de atenção nos resultados de 2025 foi a execução dos investimentos da companhia. A MSGás realizou apenas R$ 37,11 milhões em investimentos, o equivalente a 61% do orçamento planejado de R$ 61,07 milhões. Isso significa que R$ 23,96 milhões deixaram de ser aplicados naquele ano.
A companhia justificou a diferença por revisões técnicas e pelo adiamento de desembolsos de obras estruturantes, como o Projeto Sucuriú, cujos custos mais pesados foram empurrados para o biênio 2026-2027.
Além disso, a revisão do plano de longo prazo (Pnelp 2026-2030) teve de recalibrar metas futuras devido a frustrações de mercado.
A entrada em operação da UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados) em Três Lagoas, que traria um consumo expressivo de 1,7 milhão de m³/dia, foi oficialmente postergada para além de 2030.
A empresa também reduziu a projeção de captação de novos clientes no município de Dourados para o período de 2026 a 2029, adotando um cronograma de atendimento mais lento e gradual por meio de gasoduto virtual.
Faturamento da MSGás segue concentrado em clientes de grande porte
Embora a base de clientes ativos tenha atingido 27.300 unidades, com 4.755 novas conexões — a maioria residencial —, o faturamento da MSGás segue altamente dependente de poucos clientes de grande porte.
Os segmentos comercial, residencial, automotivo e de cogeração registraram volumes de vendas e margens de contribuição abaixo do projetado para 2025.
O setor automotivo, por exemplo, sofreu com a retração nacional na demanda por GNV perante a concorrência com veículos elétricos e etanol.
O resultado financeiro consolidado só foi salvo porque o segmento industrial (margem de R$ 91,13 milhões) e despachos termelétricos em novembro e dezembro compensaram as perdas dos demais setores.

Para o período de 2026 a 2030, a MSGás projeta investir R$ 373 milhões. Contudo, o próprio Conselho de Administração alertou para a necessidade de monitorar de perto os riscos associados à captação de recursos de terceiros para viabilizar o Projeto Sucuriú e a evolução das negociações para a prorrogação do Contrato de Concessão da distribuidora (que vence originalmente em julho de 2028), considerado vital para garantir a segurança jurídica das operações de longo prazo.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)





