A gerente administrativa da clínica Prontomed, Tatiane Barbosa de Souza Grubert, usava os e-mails e números de telefone pessoais para cadastrar meios alternativos de recuperação de senhas nas simulações de propostas de diferentes empresas investigadas na Operação Auditus II.
A investigação do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) notou que uma mesma pessoa estava por trás das empresas, criadas para dar ares de legalidade em licitações da Prefeitura de Nioaque — apontada como o berço do esquema fraudulento.
Na semana passada, na segunda fase da operação, cinco pessoas foram presas, entre elas, a ex-secretária de Saúde de Nioaque Márcia Jara. Os empresários Robson Roosevelt Ferreira Aguilar e Bianca Fernandes Leite Aguilar — donos da Prontomed — e a gerente Tatiana Barbosa de Souza Grubert também foram presos.
Ex-secretário de Governo do município, Vagner Alves Ribeiro Guimarães também foi alvo de mandado de prisão na operação.
Notebooks apreendidos ajudaram a desvendar o esquema de fraudes na Secretaria de Saúde. Os contatos cadastrados chamaram atenção por serem de uma mesma pessoa, mas de diferentes participantes da licitação.
Queda de valor após troca de prefeitos
Após o fim da gestão de Valdir Júnior (PSDB) e a entrada do atual prefeito André Guimarães (PP), houve queda enorme nos repasses feitos para a clínica. O contrato venceu em março de 2025. No entanto, durante esses três meses, houve queda no repasse à Prontomed devido à diminuição de exames e consultas feitas pela empresa.
De janeiro a março de 2024, o município de Nioaque repassou R$ 211 mil para a clínica de Robson. Já no primeiro trimestre de 2025, o valor foi de R$ 70 mil, queda de quase 70% dos serviços pagos.
O Gecoc estima que 83% dos exames pagos pelo município de Nioaque durante os anos de ápice do esquema foram fraudados, o que rendeu cerca de R$ 4 milhões ao grupo criminoso.
Operação Auditus II
A Operação Auditus II foi deflagrada pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) no dia 13 de agosto de 2026, com 12 mandados de busca e apreensão em Nioaque, Jardim, Bela Vista e Guia Lopes da Laguna, além de 5 de prisão.
A investigação revelou que, entre 2021 e 2024, a Prefeitura de Nioaque pagou milhões para a Policlínica Rota Bioceânica (CNPJ 26.927.847/0001-00) — antiga Prontomed — por exames superfaturados que eram oferecidos na rede municipal de saúde.
Tudo o que foi apurado na Operação Auditus II chegou à conclusão de que cerca de 83% de todos os exames pagos por Nioaque no período investigado nunca foram realizados.
Conforme o Gecoc, Márcia Jara, ex-secretária de Saúde, e Vagner Guimarães, ex-secretário de Governo, recebiam propina para ‘aceitar’ todos os pagamentos que vinham da Prontomed. Isso porque, na modalidade de contratação feita com a clínica, a empresa só recebia por procedimento realizado.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






