Procurado há cerca de cinco anos pela Justiça, o ex-comissionado do Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) Gênis Garcia Barbosa tornou-se réu em mais um processo por fraudes no órgão.
Enquanto o Ministério Público não o localiza, o Jornal Midiamax conseguiu encontrá-lo e até conversar com Gênis, que foi nomeado no Detran-MS em 2016 por seu padrinho político, Gerson Claro (PP), no período em que o deputado chefiou o órgão de trânsito até ser preso por suspeita de corrupção pelo Gaeco, na Operação Antivírus.
Na decisão, o juiz Waldir Peixoto Barbosa reconhece haver fortes indícios de fraudes e manda intimar Gênis para responder à ação penal.
O caso envolve fraude que teria sido praticada pelo apadrinhado de Gerson com um outro ex-comissionado, Ricardo Vinícius Valente. Porém, para o segundo investigado, a denúncia foi remetida para a comarca de Rio Negro.
O núcleo investigativo do Jornal Midiamax encontrou Gênis vivendo normalmente em Sidrolândia, sua cidade natal e base eleitoral de seu padrinho político, Gerson Claro (PP) — presidente da Assembleia Legislativa de MS. A reportagem até conversou com o ex-gerente de agência do Detran-MS.
Inclusive, Gênis é conhecido por moradores do município, já que o investigado faz pequenos fretes em uma picape. “Até já montou empresa de transporte e é visto diariamente aqui, como se nada tivesse acontecido”, relatou um cidadão.
Vida social ativa
Além de ser conhecido pelos fretes, Gênis participa ativamente de ações sociais. Após a publicação da reportagem do Jornal Midiamax revelando seu paradeiro, o apadrinhado de Claro postou publicamente em seu WhatsApp a divulgação de um evento no Assentamento Santa Terezinha, a cerca de 10 km de Sidrolândia.
A reportagem entrou em contato com os números listados no folder, mas não fomos atendidos e não houve retorno.
Em relação ao serviço de frete, a reportagem simulou anonimamente um serviço com Gênis, que confirmou realizar fretes em Sidrolândia. Um outro freteiro da região também confirmou.
No entanto, posteriormente, a reportagem se identificou para Gênis, que disse estar morando em outro estado. Questionado se ele ainda mantém contato com seu padrinho político, Gerson Claro, Gênis disse que não fala mais com pessoas ligadas ao Detran-MS. “Não tenho mais contato com ninguém, não, até porque estou morando em outro estado, comecei tudo de novo. Estou em outra área e não tenho notícia de nada, não”, disse.
A reportagem também perguntou a Gênis o que ele tinha a dizer sobre as acusações do Ministério Público de que recebia propina para ‘esquentar’ documentação no Detran-MS. “Vou me inteirar certinho sobre isso e depois te retorno”, foi a resposta dele, afirmando não ter conhecimento dos 14 processos criminais contra ele na Justiça.
A reportagem procurou o promotor Jorge Ferreira Neto Júnior, responsável por uma das ações contra Gênis. Através de seu assessor, ele pediu para a reportagem entrar em contato com a assessoria do Ministério Público.
O Jornal Midiamax procurou a assessoria do MPMS para que se posicionasse sobre as buscas ao denunciado e a respeito de uma possível blindagem no caso. Não houve resposta até a publicação desta matéria, mas o espaço segue aberto para futuras manifestações.
Promoção após trabalhar na campanha de Gerson Claro
De Sidrolândia, Gênis acabou nomeado por Gerson Claro, inicialmente, para um cargo operacional no Detran-MS, na época em que o deputado atuou como diretor-presidente do órgão. O político deixou o cargo após ser preso no contexto da Operação Antivírus, do Gaeco, que apura desvio milionário no órgão.

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A ascensão de Gênis no Detran-MS ocorre logo após ele trabalhar como ‘voluntário’ na campanha de Claro, enquanto exercia cargo em comissão no órgão.
Então, assim que Claro tomou posse como deputado estadual, em 1º de fevereiro de 2019, Gênis foi até a Assembleia Legislativa para se encontrar com o político. Na ocasião, tirou uma selfie com o deputado e compartilhou a foto em um grupo de servidores do Detran-MS, com a legenda “clareando cada vez mais”.
Então, poucos dias depois, Gênis foi promovido a gerente da agência do Detran-MS no bairro Aero Rancho, em Campo Grande. Assim, o salário de Gênis teve aumento de quase 80%.
Logo após essa guinada na carreira pública dentro do Detran-MS, servidores denunciaram ao Jornal Midiamax, em março de 2019, que o órgão havia se transformado em ‘cabide de emprego’ para aliados eleitorais de Gerson Claro no Detran-MS.
A reportagem procurou Gerson Claro para comentar a ligação com Gênis. Questionado sobre ter indicado o ex-servidor ao cargo, sobre a atuação dele na campanha eleitoral e sobre a promoção após a eleição do ex-diretor do Detran como deputado estadual, Claro limitou-se a dizer: “Nenhuma relação com ele” e “muito menos com as ações que eventualmente tenha feito. Saí do Detran em 2017. Fatos citados são após isso”.
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(Revisão: Nichole Munaro)







