O repasse emergencial de R$ 4 milhões para a Santa Casa deve ser mantido pela Prefeitura de Campo Grande e pelo Governo de Mato Grosso do Sul. O montante foi anunciado antes da deflagração da Operação Antidotum, na última sexta-feira (11), que prendeu seis funcionários do hospital, incluindo a então presidente Alir Terra Lima.
O valor para a Santa Casa foi previsto em um plano emergencial e será destinado à compra de insumos para continuidade dos atendimentos.
A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) de Campo Grande e a SES-MS (Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul) confirmaram ao Midiamax que os R$ 4 milhões serão transferidos para o hospital mesmo após a operação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.
Em nota, a SES-MS informou que mantém a intenção de repasse de R$ 3 milhões para a Santa Casa, conforme previsto no plano emergencial. “O repasse ainda aguarda a evolução e formalização do instrumento contratual entre as partes, necessário para sua efetivação“, informa.
A Sesau de Campo Grande se comprometeu a destinar R$ 1 milhão para o hospital. “A Sesau informa que está mantido o repasse pontual para compra dos insumos, e o aditivo contratual está em fase final de elaboração e o pagamento segue dentro do prazo anteriormente informado. Conforme previsto no aditivo, caberá à Santa Casa prestar contas da utilização dos recursos, com comprovação da aplicação dos valores na finalidade pactuada e garantia da rastreabilidade das despesas“, informa a nota.
Em 8 de setembro, o secretário da Sesau, Marcelo Vilela, estimou que o repasse seria feito em até 15 dias, ou seja, até 22 de setembro.
A medida faz parte de um plano emergencial, após um grupo de médicos da Santa Casa de Campo Grande se desligar da instituição devido aos salários atrasados há quatro meses. A demissão em massa fez com que toda a ala de cirurgia cardíaca pediátrica do hospital, que era referência na especialidade em Mato Grosso do Sul, fosse fechada.
Investigações
A investigação do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), na Operação Antidotum, revelou o mecanismo utilizado pela cúpula e por empresas contratadas pela Santa Casa de Campo Grande para escoar recursos desviados da instituição.
Para evitar alertas em órgãos de fiscalização financeira e dificultar o rastreamento do dinheiro pela polícia e pelo Ministério Público, o grupo pulverizou a retirada de R$ 5,5 milhões (R$ 5.557.010,98) em dinheiro vivo, por meio de saques fracionados e transferências diretas a operadores do esquema.
O relatório de investigação destaca a movimentação suspeita: “Em vez de uma operação única, compatível com uma obrigação empresarial comprovada, os investigados dividiram os valores em sucessivas retiradas, dificultando o rastreamento do destino do dinheiro”.
De acordo com as investigações do MPMS, os valores saíam das contas da Santa Casa e de sua operadora de saúde sob a justificativa de pagamento por serviços prestados por empresas controladas pelo empresário Maurício Aparecido Benites, como a Redvalue Tecnologia e a Ex Be Finance.
Assim que ingressavam nas contas das pessoas jurídicas, as verbas eram rapidamente sacadas no balcão de agências bancárias por funcionários, diretores e até servidores públicos.
Um deles, funcionário de Maurício, recebia salário de R$ 2,4 mil, mas sacou total de R$ 675.999,98 entre julho de 2024 e maio de 2025, o que chamou atenção dos investigadores.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








