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Rota da Celulose: 1ª colocada em licitação entra com recurso e diz que foi tratada diferente 

K Infra foi desclassificada e substituída pela 2ª colocada no leilão da Rota da Celulose
Fábio Oruê -
rota da celulose
Leilão da Rota da Celulose. (Divulgação, Saul Schramm)

A empresa K Infra Concessões e Participações Ltda. (CNPJ: 13.884.866/0001-54) — 1ª colocada do leilão da Rota da Celulose — entrou com novo recurso após levar uma negativa dos desembargadores do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) no começo deste mês.

A líder do Consórcio K&G tenta reverter, na Justiça, sua desclassificação na licitação da Rota da Celulose. Agora, a empresa contesta a decisão do colegiado, que manteve o contrato do Governo de Mato Grosso do Sul com a XP Infra, subsidiária da corretora XP Investimentos — a 2ª colocada no certame.

Na petição, a defesa da K Infra, feita pelo advogado João Guilherme Sarmento, alega que a empresa teve tratamento diferenciado no leilão e que passou por diligências pelas quais outros participantes não passaram.

Isso porque a Comissão Especial de Licitação teria pedido a apresentação de documentos complementares não previstos no edital, “seja antes, durante ou depois da habilitação do Consórcio Caminhos da Celulose”.

Além disso, diz que a comissão de licitação usou um decreto federal de caducidade de outra rodovia, a BR-393, para questionar a capacidade técnica da K Infra.

Por sua vez, a empresa alega que as infrações que geraram a quebra do contrato ocorreram entre 2010 e 2014 — período em que a rodovia era administrada por outra empresa, a Acciona Rodovia do Aço.

Entretanto, a K Infra lembra que só adquiriu a concessionária em 2019 e alega que está sendo punida por erros da gestão anterior.

Disputa pela concessão

O contrato da Rota da Celulose — o conjunto das rodovias MS-040, MS-338 e MS-395, BR-262 e BR-267, na região leste de Mato Grosso do Sul — virou alvo de uma disputa na Justiça.

Vencedor do leilão na B3 — a Bolsa de Valores de São Paulo —, o Consórcio K&G é formado pelas empresas Galápagos Participações Ltda. e K Infra Concessões e Participações Ltda. Porém, o grupo foi desclassificado após recurso do Consórcio Caminhos da Celulose.

Esse segundo consórcio é liderado pela XP Infra, subsidiária da corretora XP Investimentos. Além dela, sete empresas compõem o grupo, incluindo a Construtora Caiapó Ltda. (CNPJ 00.237.518/0001-43) e a Ética Construtora Ltda. (CNPJ 26.631.473/0001-80).

Após conseguir eliminar o K&G, o Caminhos da Celulose conseguiu conquistar o contrato, fazendo aporte de R$ 195 milhões em fevereiro de 2026. Inconformado, o Consórcio K&G foi à Justiça de Mato Grosso do Sul para questionar o procedimento que levou à eliminação dele e à classificação do segundo colocado.

rota da celulose rumos
BR-262 faz parte da Rota da Celulose. (Saul Schramm, Secom)

Disputa pela concessão da Rota da Celulose

Em maio de 2025, o Consórcio K&G venceu o leilão da concessão da Rota da Celulose. O consórcio ofereceu desconto de 9% na tarifa de pedágio, com aporte de R$ 217.389.913,70. Já o Consórcio Caminhos da Celulose, segundo colocado, chegou perto ao ofertar 8% de desconto, com aporte de R$ 195.619.568,80. Um terceiro consórcio e uma empresa disputaram o certame.

Já em agosto, o Consórcio K&G foi desclassificado após o leilão de maio, e o Governo do Estado convocou o segundo colocado, o Consórcio Caminhos da Celulose. Em setembro, foi homologado o resultado do julgamento, que declarou vencedor o segundo colocado no leilão.

O Consórcio Caminhos da Celulose é composto pelas seguintes empresas: 

  • XP Infra V Fundo de Investimento em Participações (CNPJ 55.128.678/0001-46);
  • CLD Construtora, Laços Detetores e Eletrônica Ltda. (CNPJ 55.996.615/0001-01);
  • Construtora Caiapó Ltda. (CNPJ 00.237.518/0001-43);
  • Ética Construtora Ltda. (CNPJ 26.631.473/0001-80);
  • Distribuidora Brasileira de Asfalto Ltda. (CNPJ 26.917.005/0001-77);
  • Conter Construções e Comércio S.A. (CNPJ 60.829.215/0001-41);
  • Conster Construções e Terraplanagem Ltda. (CNPJ 46.271.383/0001-33).

Rota da Celulose

plano da Rota da Celulose prevê R$ 10,1 bilhões em investimentos, sendo R$ 6,9 bilhões em capex e R$ 3,2 bilhões para despesas operacionais ao longo de 30 anos de contrato.

Serão concedidos 870,3 quilômetros da Rota da Celulose, que ganhou esse nome por ser formada por rodovias importantes para a cadeia produtiva da celulose em Mato Grosso do Sul.

O trecho contempla extensões das rodovias estaduais MS-040, MS-338 e MS-395 e das federais BR-262 e BR-267. A concessão prevê recuperação, operação, manutenção, conservação, implantação de melhorias e ampliação de capacidade do sistema rodoviário pelo prazo de 30 anos.

Após a falta de interessados na primeira tentativa de leiloar a Rota da Celulose, o projeto passou por alguns ajustes no edital. Entre eles, um modelo econômico-financeiro que reduz os investimentos obrigatórios durante os primeiros quatro anos de operação — uma das demandas apresentadas pela iniciativa privada.

A projeção de receita dos 20 anos de operação também foi alterada. A concessionária deverá duplicar 115 km de rodovias, construir 457 km de acostamentos e 245 km de terceiras faixas, além de 12 km de vias marginais.

Ainda, serão implantados 38 km de contornos urbanos, 25 acessos, 22 passagens de fauna e 20 alargamentos de pontes. Estão contempladas, também, obras especiais e estruturas como pontes e passarelas, totalizando 3.780 m².

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(Revisão: Nichole Munaro)

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