Procurado pela Justiça desde 2023, o ex-apadrinhado político no Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul), Ricardo Vinícius Nascimento Valente, nomeou advogado para representá-lo em quatro acusações de fraude.
Em uma dessas ações penais, a Justiça chegou a suspender a tramitação já que o ex-servidor não era localizado pelo Ministério Público, autor das denúncias.
No entanto, o núcleo investigativo do Jornal Midiamax revelou que Ricardo Vinícius tinha empresa em Campo Grande e até havia firmado contrato público com o Estado, enquanto era procurado pelo MP.
A reportagem mostrou que Ricardo é proprietário da empresa RV Profícuo e ‘bate ponto’ todos os dias na sede da empresa, no bairro Vilas Boas.
Enquanto isso, o MP solicitava oficiais de Justiça para tentar intimá-lo em outros endereços e até um edital de notificação foi publicado no Diário da Justiça para tentar citá-lo, mas sem sucesso.
Então, horas após a publicação da reportagem, o promotor daquele caso, Arthur Dias Júnior, pediu para reabrir o caso e enviar um oficial de Justiça até a sede da empresa.
Logo, na última segunda-feira (22), o advogado Wilson Tavares se manifestou no processo, apresentando a primeira defesa de Ricardo sobre as acusações.
Na petição, a defesa do ex-servidor reconheceu ter conhecimento já dos demais processos, pedindo, inclusive, para que todos sejam julgados juntos.
Sem entrar no mérito das denúncias — de receber propina para esquentar documentação de veículos -, o servidor questionou o fato de o juiz Waldir Peixoto Barbosa receber a denúncia sem ter esperado a apresentação da defesa pelo denunciado — que era procurado havia quase três anos pela Justiça.
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‘Esquentou’ documentação de mais de 41 veículos
Na denúncia, o Ministério Público listou 41 casos de alterações de registro de veículos feitas de forma irregular por Ricardo Vinícius no decorrer do ano de 2021, ano em que ocupou cargo de gerência de agências do Detran-MS, como as de Guaicurus, do Shopping Bosque dos Ipês e de Campo Grande.
O servidor ocupava cargo em comissão na Segov em 2016 e foi nomeado no Detran-MS em janeiro de 2019. A nomeação para o cargo de direção foi formalizada em abril daquele ano.
Todos os 41 registros elencados pelo MP trataram-se de inclusão de forma irregular, mediante recebimento de propina, do quarto eixo em semirreboques de 3 eixos.
Ricardo chegou a ser ouvido pela Corregedoria do Detran-MS, quando as fraudes foram identificadas internamente, e negou as fraudes, afirmando que alguém poderia ter usado sua senha pessoal e chegou a acusar um colega, que havia sido exonerado por suspeitas de fraudar registros de veículos.
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