Você sabe reconhecer os primeiros sintomas de uma leishmaniose cutânea? A doença infecciosa é transmitida pela picada do mosquito-palha infectado por parasitas do gênero Leishmania e pode levar meses até os sintomas aparecerem.
Seus principais sintomas costumam aparecer principalmente na pele, podendo atingir, ainda, as mucosas do nariz e da boca. A manifestação da doença pode se iniciar com uma ferida pequena, similar a uma picada de inseto ou espinha. A situação merece atenção se a ferida não sumir, começar a aumentar de tamanho e não cicatrizar.
A transmissão da doença acontece exclusivamente pela picada do inseto infectado. O infectologista Alexandre Albuquerque Bertucci, do Humap-UFMS (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian), explica que o período entre a picada do mosquito e o aparecimento dos primeiros sintomas, chamado de período de incubação, é bastante variável, podendo durar semanas e até meses.
Essa característica costuma dificultar o diagnóstico, pois o paciente infectado pode ter sido exposto durante uma viagem, passeio ou atividade rural em uma área com transmissão da doença, e os primeiros sinais aparecem somente semanas ou meses depois, quando a pessoa já estiver de volta à cidade de origem. O intervalo entre a exposição e o surgimento das lesões exige atenção, principalmente em regiões onde a doença é pouco frequente.
A orientação é sempre informar ao médico a respeito de viagens, passeios ou permanência em chácaras, fazendas, matas e outras áreas de vegetação, mesmo que a exposição tenha acontecido meses antes do surgimento da lesão. “Quando aparecer uma ferida que não cicatriza, é importante lembrar também dos lugares que a pessoa já frequentou nos últimos meses, mesmo que tenha sido apenas durante um passeio.”
O infectologista reforça que, embora a doença cause feridas na pele, ela não pode ser transmitida pelo contato direto entre pessoas, mesmo quando há contato com as lesões.
Como a doença se manifesta?
Os sintomas da leishmaniose tegumentar, também chamada de cutânea, costumam aparecer como uma pequena alteração na pele, que pode ser confundida com uma picada de inseto ou espinha. Ao longo das semanas seguintes, a região afetada pode aumentar e dar origem a uma ferida, geralmente arredondada, com bordas elevadas e pouca ou nenhuma dor.
As lesões aparecem com maior frequência em áreas descobertas do corpo, como braços, pernas e rosto. Sem tratamento, as feridas podem permanecer abertas por semanas ou meses e atingir regiões maiores da pele.
Quando não identificadas e tratadas adequadamente, as lesões também podem deixar cicatrizes permanentes. Por isso, feridas que persistem e não apresentam sinais de cicatrização precisam ser avaliadas por um profissional de saúde, em vez de serem tratadas como machucados comuns, conforme orienta o infectologista.
Sintomas no nariz e na boca
A doença também pode comprometer as mucosas, especialmente as do nariz e da boca. Essa manifestação pode surgir meses ou até anos depois da lesão inicial, inclusive quando a ferida da pele já cicatrizou. Entre os sinais que merecem atenção, estão: obstrução nasal persistente, sangramentos, feridas que não cicatrizam e alterações nessas regiões.
Segundo o infectologista Alexandre Albuquerque Bertucci, em casos mais graves, pode ocorrer destruição dos tecidos, provocando sequelas graves. Em alguns casos, a doença pode atingir as mucosas anos após a infecção inicial, provocando complicações que exigem investigação e acompanhamento especializado.
Por isso, identificar a doença e iniciar o tratamento precocemente é importante para conter sua evolução, evitar o agravamento das lesões e reduzir o risco de complicações.
Suspeita da doença? Saiba o que fazer
Conforme o infectologista Alexandre Albuquerque Bertucci, ao apresentar feridas persistentes na pele, principalmente com bordas elevadas e dificuldade de cicatrização, o paciente deve procurar uma UBS (Unidade Básica de Saúde) para avaliação. A orientação é não esperar que a lesão aumente ou provoque dor para procurar atendimento.
Como existem outras doenças que provocam lesões semelhantes, poderão ser solicitados exames específicos para confirmar ou descartar a leishmaniose. A investigação considera as características da lesão, o histórico do paciente, os locais frequentados e os exames laboratoriais.
A leishmaniose tegumentar tem tratamento gratuito pelo SUS (Sistema Único de Saúde), com medicamentos específicos e acompanhamento dos profissionais de saúde. “A escolha da terapia depende da manifestação da doença e das condições clínicas de cada paciente. Não é recomendado utilizar pomadas, medicamentos ou tratamentos caseiros por conta própria”, orienta o infectologista.
Como se prevenir
A transmissão acontece pela picada do mosquito-palha infectado. O mosquito-palha é um inseto de pequeno porte, com maior atividade no fim da tarde e durante a noite. O risco de exposição é maior entre pessoas que vivem, trabalham ou circulam em áreas rurais, chácaras e locais próximos à vegetação, onde o vetor costuma ser encontrado.
Entre as estratégias recomendadas, estão:
- Utilizar repelentes, principalmente em áreas de maior exposição;
- Usar roupas que protejam braços e pernas;
- Instalar telas de proteção em portas e janelas;
- Utilizar mosquiteiros, especialmente em áreas de maior risco;
- Evitar a exposição nos períodos de maior atividade do inseto, no final da tarde e durante a noite;
- Manter quintais e terrenos limpos, evitando o acúmulo de folhas e matéria orgânica.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








