A empresária e lobista Roberta Luchsinger, histórica apoiadora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e candidata pelo partido em 2018 em São Paulo, surpreendeu neste domingo (25) ao declarar, em suas redes sociais, voto em Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial.
A publicação marca o ápice de um rompimento público e conturbado com o atual governo, impulsionado por investigações da Polícia Federal e trocas de acusações com o Palácio do Planalto. Luchsinger é amiga muito próxima do filho do presidente, Fabio Luiz da Silva, o Lulinha.
“O Brasil precisa olhar para a frente. Chega dessa insistência em alimentar conflitos entre classes sociais, dividir a população e transformar divergências em confrontos permanentes. Os brasileiros querem soluções concretas para os problemas do presente e perspectivas reais para o futuro. O país precisa de menos polarização, menos discursos de enfrentamento e mais resultados”, disse Roberta, que na sequência revela voto em Flávio no 2° turno. Ela disse que no primeiro turno votou nulo.
“Na minha avaliação, Lula já não reúne as condições necessárias para conduzir o país diante dos desafios que temos pela frente. É hora de renovação, de novas ideias e de uma política que olhe para o futuro, em vez de permanecer presa às disputas do passado”, publicou a empresária.
Como Roberta Luchsinger se aproximou do PT?
A empresária ganhou notoriedade nacional em 2017, quando tentou doar R$ 500 mil em dinheiro e bens de luxo para auxiliar Lula, que na época estava com os bens bloqueados pela Operação Lava Jato.
A doação foi barrada pela Justiça paulista devido a dívidas pessoais da lobista. No ano seguinte, ela concorreu ao cargo de deputada estadual em São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores (PT), obtendo cerca de 14 mil votos, mas não foi eleita.
Durante esse período, Luchsinger estreitou laços com o partido e construiu uma amizade próxima com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
Nos anos seguintes, passou a atuar na intermediação de negócios entre empresas privadas e órgãos federais.
Por que Roberta Luchsinger é investigada pela PF?
O rompimento com o governo federal ocorreu em meio ao avanço de investigações da Polícia Federal. Atualmente monitorada por tornozeleira eletrônica e com bens bloqueados, Luchsinger é alvo de três inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal) por suspeita de tráfico de influência e participação em fraudes bilionárias ligadas ao INSS (Operação Sem Desconto), Ministério da Saúde e Dataprev.
A relação deteriorou-se de forma irreversível após Lula chamá-la de “pilantra” em sabatina na TV Globo, negando qualquer proximidade com a lobista.
Em resposta, Luchsinger disse em entrevista à CNN Brasil, na qual chamou o presidente de mentiroso e declarou não aceitar o papel de “boi de piranha” do governo.
Na ocasião, a empresária anunciou a intenção de firmar um acordo de delação premiada, prometendo expor esquemas que atingiriam o alto escalão do Planalto e a família presidencial.
“Se eu sou pilantra e toda essa turma andava e frequentava a minha casa, eles são pilantras como eu”, rebateu.
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