A perícia recuperou as conversas do celular da estudante Isabelle Caracristi, de 22 anos, que apontam para vigilância e controle por parte do namorado e bacharel em Direito, João Munhoz Neto, de 34 anos. As informações foram divulgadas pelo jornalista Carlos Madeiro, do UOL.
A universitária morreu após cair do 23º andar do condomínio em que morava com o namorado, em Fortaleza, no dia 13 de setembro. João foi preso por crimes de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, além de violência psicológica, nesta terça-feira (22).
O celular da vítima estava junto dela no momento da queda e ficou seriamente danificado. As equipes técnicas recuperaram as mensagens recebidas até às 2h da manhã do dia 13, por meio de backup da nuvem.
A perícia divulgou que as mensagens revelam uma “sequência progressiva de vigilância”. Com o material, a polícia pode investigar a possível atuação de João Munhoz Neto no induzimento, na instigação ou no auxílio ao suicídio.
Os investigadores constataram proximidade temporal entre o agravamento do sofrimento emocional de Isabelle, a afirmação de que ela desejava “sumir”, a elaboração de mensagem de despedida e a morte.
Nos registros, a polícia afirma que a universitária disse sentir-se “ameaçada, manipulada, pressionada, sobrecarregada e presa”. A jovem também afirmou que as atitudes do namorado “lhe faziam mal e a adoeciam”.
O bacharel em Direito teria instalado uma câmera particular na soleira da porta do apartamento. Segundo os investigadores, o objeto foi retirado, o que “levanta suspeitas sobre a possibilidade de remoção após os fatos”.
Um primo de Isabelle relatou, em depoimento à Polícia Civil, que, uma semana antes da morte, a vítima ligou para ele e disse que “não suportava mais João”.
O namorado teria ciúme excessivo e proibia Isabelle de manter contato com familiares e colegas de trabalho. O primo da vítima ainda informou que, durante a conversa, ouviu João ordenando ao fundo para ela desligar o telefone.
Duas horas antes da morte, a vítima enviou um áudio de 16 minutos para o primo. Na mensagem, havia detalhamento de uma briga entre eles. Ela ainda disse que estava sendo ameaçada e que, se algo acontecesse com ela, João Munhoz seria o responsável.
*Com informações do UOL.
Relembre o caso
Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta no pátio do condomínio onde morava com o namorado e familiares dele, na noite do dia 13, no bairro Aldeota, em Fortaleza. Ela estava no segundo semestre do curso de Direito e estagiou aproximadamente 20 dias em um escritório de advocacia em Fortaleza, para o qual pediu desligamento em agosto por “razões de ordem pessoal”. Ela conheceu João Munhoz Neto nesse mesmo escritório.
A Pefoce (Perícia Forense do Estado do Ceará) identificou lesões no corpo da jovem que, segundo informações, eram compatíveis com impacto contra o solo. Exames laboratoriais realizados na vítima deram negativo para substâncias toxicológicas.
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