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Brasil

Conselho Nacional de Educação proíbe uso autônomo de IA por alunos até o 5º ano

O texto segue para homologação do Ministério da Educação
Agência Estado -
Especia fala povo regiao Lageado Escola Ghirardelli Henrique Arakaki 12
Alunos da Reme (Rede Municipal de Ensino). (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

O CNE (Conselho Nacional de Educação) proibiu o uso autônomo de IA (inteligência artificial) por alunos dos anos iniciais do ensino fundamental, ou seja, estudantes até o 5º ano. A medida foi aprovada nesta terça-feira (1º) no âmbito de um conjunto de regras para uso de IA em escolas e universidades.

O parecer havia passado por análise prévia de comissão do CNE e foi submetido à consulta pública antes de ir ao plenário. A restrição ao uso autônomo foi incluída após esses trâmites. Agora, o texto seguirá para homologação do MEC (Ministério da Educação).

A medida usa como referência parâmetros internacionais, como a recomendação da Unesco que indica o uso autônomo de ferramentas de inteligência artificial somente após os 13 anos de idade. As redes terão 12 meses após a homologação do texto para se adequar

Segundo o relator da proposta, Celso Niskier, “o uso da IA deverá ocorrer em atividades pedagógicas planejadas, conduzidas e mediadas por profissionais de educação”.

O texto da resolução explica que essas atividades mediadas por profissionais da educação deverão ocorrer “sem interação direta livre da criança com a ferramenta e sem coleta desnecessária de dados pessoais dos estudantes”.

A medida orienta que a incorporação dessas tecnologias no ensino seja feita de forma gradual à medida que o letramento digital das crianças seja desenvolvido, juntamente com pensamento crítico, cidadania digital e autonomia intelectual.

O CNE também determina que sempre que houver utilização de ferramentas de IA para a educação infantil e os anos iniciais do ensino fundamental, as instituições de ensino informem as famílias e protejam os dados pessoais das crianças. O conselho também deixa claro que é proibida “utilização dessas aplicações para fins de publicidade direcionada, perfilização mercadológica ou exploração comercial dos dados dos estudantes.”

Nesta terça-feira, o conselho estabeleceu diretrizes para o uso de inteligência artificial na educação e fixou níveis de risco para a utilização dessas ferramentas de acordo com o tipo de atividade.

“Esse documento traz de volta para os educadores a responsabilidade e o destino pedagógico da tecnologia, tirando um pouco o discurso das plataformas e big techs, que querem pautar o que nós educadores devemos fazer”, afirmou Niskier.

O parecer também propõe a inclusão de conteúdos sobre IA nos currículos de escolas e universidades. As diretrizes determinam que essas ferramentas devem ser utilizadas levando em consideração o protagonismo do professor e da equipe pedagógica

Na educação básica, por exemplo, o texto prevê que seja estimulado um uso crítico dessas ferramentas e que as crianças e adolescentes sejam formadas para utilizar de maneira ética a inteligência artificial.

As diretrizes incluem tópicos que devem ser ensinados sobre IA nas escolas. Entre eles, estão:

  • reconhecimento dos diferentes tipos de tecnologias e seus usos no cotidiano;
  • desenvolvimento do pensamento lógico, analítico e crítico;
  • reflexão sobre as implicações éticas, sociais e culturais do uso da tecnologia;
  • compreensão do papel dos dados e de sua utilização nos sistemas de IA;

– identificação de limites, riscos e possíveis vieses presentes nas tecnologias;

  • desenvolvimento da capacidade de avaliar informações produzidas por sistemas automatizados;
  • estímulo à criatividade, à autonomia e à resolução de problemas;
  • compreensão das relações entre tecnologia, sociedade e desigualdades;
  • promoção de comportamentos responsáveis, éticos e seguros no ambiente digital;
  • desenvolvimento de capacidades metacognitivas relacionadas ao uso da Inteligência Artificial, estimulando os estudantes a refletirem criticamente sobre seus próprios processos de pensamento, aprendizagem, tomada de decisão e produção de conhecimento mediados por tecnologias digitais.

As diretrizes também estabelecem regras para utilização da IA em atividades pedagógicas. Nesse caso, entre as principais diretrizes estão a preservação da autonomia do estudante e sua proteção quanto à dependência excessiva dessas tecnologias. Outro ponto frisado pelo documento é a prevenção de práticas de monitoramento inadequado ou desproporcional dos estudantes. O CNE traz ainda os seguintes parâmetros:

  • promoção do desenvolvimento integral dos estudantes, considerando dimensões cognitivas, sociais e emocionais;
  • integração do letramento em IA de forma articulada aos letramentos digital, midiático e computacional;
  • contextualização das aprendizagens, com base na realidade dos estudantes e nos desafios contemporâneos;
  • compromisso com a redução das desigualdades educacionais, promovendo inclusão e equidade;
  • desenvolvimento de práticas pedagógicas alinhadas à proteção de direitos e à cidadania digital;
  • fortalecimento da capacidade de mediação crítica e ética dos profissionais da educação.

O CNE estabeleceu ainda regras para o uso de IA no ensino superior. Nessa etapa, o conselho destaca que a ferramenta pode impulsionar a formação acadêmica e ampliar as possibilidades de conexão com o mercado de trabalho.

Presidente da Comissão que debateu as diretrizes para IA na Educação, a conselheira Mônica Sapucaia afirmou que a medida é importante uma vez que o cenário de regulação que envolve as ferramentas digitais ainda é escasso.

“Isso é uma decisão política, uma decisão sobre qual é o modelo de educação que nosso país, neste momento, quer. Como nós, como país, ainda não conseguimos responder a muitas dessas questões, a gente, no universo da educação, precisa garantir que não estejamos em terra arrasada quando essas decisões chegarem”, afirmou.

Após a aprovação, o presidente do CNE, Cesar Callegari afirmou que a medida representa um marco para a área e demandará engajamento dos sistemas educacionais.

“É um material de grande importância pela complexidade que foi encaminhada, transformando a alta complexidade desse assunto em algo bastante didático. É um avanço importante”, disse.

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