A advogada e pesquisadora sul-mato-grossense Fernanda Baldo transformou sua experiência com relatos de assédio no Judiciário de Mato Grosso do Sul em uma ferramenta de prevenção. A partir de sua pesquisa de mestrado, ela criou o Núcleo de Acolhimento, espaço voltado à escuta, orientação e identificação precoce de situações de violência e riscos psicossociais no trabalho.
A proposta, tema do livro “Cortes Silenciadas”, busca ir além da punição após os casos de assédio, promovendo uma cultura organizacional baseada em respeito, diálogo, sigilo e gestão humanizada. O modelo foi adotado pelo TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), que se tornou o primeiro tribunal estadual do país a incluir um Núcleo de Acolhimento em seu organograma.
Segundo Fernanda, a prevenção também envolve preparar gestores para reconhecer necessidades, conflitos, sobrecarga, comunicação violenta, discriminação e outras situações que podem afetar o ambiente de trabalho. A mudança, porém, exige tempo, ações contínuas e confiança nos mecanismos de acolhimento e denúncia.
“Não estou ali para impor soluções. Nosso papel é fazer uma escuta ativa e, por meio do que essa pessoa traz, oferecer caminhos a ela. Assim, ela mesma poderá escolher o caminho que deseja seguir, apropriando-se das rédeas da própria vida”, completa.
“É uma atuação voltada a não simplesmente apagar o incêndio, mas prevenir o incêndio, e essa é uma mudança cultural que vem acontecendo. Em outras palavras, a lógica deixa de ser exclusivamente a da reparação de danos depois que a violência acontece e passa a incorporar a responsabilidade de identificar e gerenciar riscos antes que eles produzam consequências mais graves”, esclarece a autora.
Denúncias em MS
Em Mato Grosso do Sul, o TRT-MS (Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região) registrou 1.116 novos processos de assédio moral no trabalho em 2025, além de 125 de assédio sexual. Na comparação com 2024, houve aumento de 40% nos casos de assédio moral e de 66,7% nos de assédio sexual.
O assédio moral pode se manifestar em situações como isolamento, comunicação inadequada, desqualificação, cobranças incompatíveis ou exigências sem orientação adequada. Para Fernanda, reconhecer esses comportamentos é fundamental para prevenir a violência no ambiente de trabalho.
“Por isso, o objetivo do livro é mostrar que a prevenção ao assédio começa antes da denúncia, que a educação é uma ferramenta, que a conversa e a escuta são ferramentas, e que o ser humano vale muito a pena”, finaliza a pesquisadora.
O lançamento do livro “Cortes Silenciadas” acontecerá no dia 24 de setembro de 2026, às 18h30, no TJMS.
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(Revisão: Nichole Munaro)









