A divulgação de listas com nomes de empresas, comerciantes e profissionais que são alvo de boicote por causa de posicionamentos políticos provocou manifestações de entidades representativas e órgãos ligados à Justiça. As organizações alertam que a prática pode resultar em perseguição econômica, discriminação e responsabilização judicial.
As manifestações ganharam força após as Eleições de 2026, diante de relatos de constrangimentos e retaliações contra pessoas que expressaram opiniões políticas diferentes. Entre as entidades que se posicionaram, estão a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e o MPT (Ministério Público do Trabalho).
O setor de bares e restaurantes está entre os mais afetados. Em nota pública, a Abrasel repudiou a circulação de listas que identificam estabelecimentos conforme as preferências políticas dos proprietários e incentivam consumidores a deixar de frequentá-los.
A associação destacou que empresários e trabalhadores possuem diferentes convicções e que a pluralidade de opiniões deve ser respeitada. Também alertou que campanhas destinadas a prejudicar financeiramente empresas podem gerar ações judiciais e atingir funcionários que dependem da atividade para obter renda.
A OAB do Tocantins também divulgou uma manifestação contra a exposição de empresas, profissionais e cidadãos por suas posições políticas. A entidade ressaltou que a liberdade de expressão e a diversidade de ideias são princípios do Estado Democrático de Direito e que divergências eleitorais não justificam perseguições ou restrições de direitos.
Denúncias de assédio eleitoral
O Ministério Público do Trabalho identificou o uso de plataformas digitais para incentivar empregadores a investigar, expor, deixar de contratar ou demitir funcionários por causa do voto.
Diante da situação, o órgão ingressou com uma ação civil pública contra a Meta, empresa responsável pelo Instagram, Facebook e Threads, para que publicações desse tipo sejam retiradas do ar.
Segundo o procurador do trabalho Maurício de Mello, o MPT recebeu 1.140 denúncias de assédio eleitoral nos três dias posteriores ao segundo turno. Desde o início da campanha, foram registradas 3.080 denúncias.
O número representa quase 30% das ocorrências concentradas no período após a votação. O presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, afirmou que essas práticas também atingem trabalhadores autônomos e pequenos comerciantes.
Comparação com perseguições históricas
A ex-deputada federal Manuela d’Ávila (PCdoB) também criticou a criação das listas e comparou a prática à perseguição econômica contra comerciantes judeus na Alemanha nazista.
Segundo ela, a identificação pública de profissionais e estabelecimentos para incentivar prejuízos financeiros por divergências políticas é uma prática autoritária que precisa ser combatida.
O professor de História Contemporânea da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Francisco Carlos Teixeira, confirmou a referência histórica e afirmou que a organização de listas de pessoas consideradas indesejadas foi utilizada por regimes autoritários e durante a ditadura militar brasileira.
Para o historiador, esse tipo de iniciativa pode representar o início de processos de exclusão e perseguição política.
*Com informações da Agência Brasil.
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(Revisão: Nichole Munaro)








