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Cotidiano

De 10 casos de violência contra indígenas, 4 são de MS; só um avança na investigação

Caso de envenenamento de água em Tacuru é o único que, até o momento, apresenta estágio avançado de apuração, segundo o ministro dos Povos Indígenas
Karina Campos -
De 10 casos de violência contra indígenas, 4 são de MS; só um avança na investigação
A agenda da comitiva em Mato Grosso do Sul continua neste sábado (Reprodução)

A comitiva interministerial do Governo Federal que apura casos de violência contra os Povos Indígenas informou, neste sábado (31), durante coletiva em , que quatro dos dez casos de violência contra povos indígenas identificados pelo comitê interministerial no país são de Mato Grosso do Sul. Entre as quatro ocorrências registradas no Estado, apenas o caso de envenenamento da água em Tacuru apresenta estágio avançado de investigação.

Segundo o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, os demais episódios ainda passam por averiguação preliminar e não podem, por enquanto, ser classificados como violência política.

“Há uma averiguação preliminar, mas apenas o caso do envenenamento a gente enxerga diretamente como assédio político. Os demais não serão descartados, mas estão em investigação. Por enquanto, desses quatro, não temos como afirmar que se trata de questões políticas. É importante dizer que todos os casos estão sendo apurados”, afirmou Eloy.

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, também destacou que, ao todo, 189 denúncias foram feitas partir de diferentes canais, como o Disque 100, canais de atendimento dos Povos Indígenas, pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) e outras instituições. As informações estão sendo cruzadas para orientar as investigações. As ocorrências de assédio eleitoral no trabalho lideram o ranking de denúncias no Brasil.

“Há questões de casos ligados ao mercado de trabalho, assédio político, como demissões. Há uma sobreposição que a gente precisa avaliar e ler esses casos com muito cuidado. Temos casos de violência política envolvendo até candidatos durante o período eleitoral. Entre setembro e outubro, saltou de 20 para 90 casos”, disse.

Mobilização continua

Na quinta-feira (29), o Ministério dos Povos Indígenas desativou a centralização de denúncias após receber um grande volume de mensagens sem relação com casos de violência contra povos indígenas.

Contudo, a Polícia Federal colocou todas as delegacias do país em alerta para monitorar os crimes e instaurar procedimentos investigativos, mesmo quando as denúncias apresentam poucas informações. Sobre os relatos de envenenamento de água, a comitiva informou que pessoas já foram ouvidas e que toda a estrutura da PF está à disposição.

A PRF (Polícia Rodoviária Federal) também permanece mobilizada para atender possíveis ocorrências. Durante a coletiva, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou que todos os casos concretos serão apurados.

“Tudo de concreto está sendo apurado e os identificados serão criminalizados. Atuação feita para que a violência não seja reproduzida e que as pastas estão vigilantes”, disse.

Políticas adotadas

Além das denúncias de violência política e intolerância religiosa, o comitê identificou outros problemas que exigem medidas do poder público. Um deles é o alto índice de atropelamentos de indígenas nas proximidades de aldeias. Para os povos originários, parte dessas ocorrências pode esconder homicídios disfarçados de acidentes de trânsito.

A comitiva também destacou a necessidade de tornar mais eficiente o fluxo de decisões judiciais e ampliar o acompanhamento de diferentes formas de violência no Estado.

A representante do comitê, Sônia Guajajara, a primeira ministra dos Povos Indígenas do Brasil e deputada de , reforçou que os casos serão analisados conforme suas respectivas esferas criminais. Ela também chamou a atenção para a data dos registros, já que algumas situações resgatadas durante a mobilização aconteceram antes do atual cenário de tensão. O alerta é para evitar o compartilhamento de informações antigas como se fossem recentes.

A agenda da comitiva em Mato Grosso do Sul continua neste sábado, com visitas a aldeias de . Questionado sobre o prazo de mobilização, Wellington afirmou que a força-tarefa permanecerá no Estado por tempo indeterminado.

Confira a coletiva de imprensa:

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