A Associação de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul mobilizou um protesto na manhã deste sábado (13), em Campo Grande. Os manifestantes buscam denunciar as mortes da jovem Gabriella Vieira, de 23 anos, e das crianças Hannah Julia Romeiro, de oito anos, e de João Guilherme Pires, de nove. Familiares das vítimas estiveram presentes no protesto na Avenida Afonso Pena, em frente à Praça Ary Coelho.
O presidente da associação, Valdemar Moraes, afirmou que os órgãos públicos precisam atentar aos casos de possível negligência médica. “O objetivo [da manifestação] é mostrar às nossas autoridades, à Secretaria de Saúde, ao Governo, ao município, que estão morrendo crianças no espaço de saúde e nada está sendo feito”, explicou.
“Hannah morreu no colo da mãe dentro da UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Quatro vezes foi ao posto de saúde. O João Guilherme bateu o joelho, foi à UPA quatro vezes, liberaram ele, não fizeram nada, e nós temos laudos que comprovam o erro médico. E tem a Gabriella, que nós já temos laudo também. Ela foi à UPA com dor de cabeça, deram dipirona paliativa pra ela e mandaram pra casa. E a menina acabou morrendo”, completa.
Dor imensurável
A mãe de Hannah Julia, Sara Romeiro, contou ao Jornal Midiamax que nunca imaginou estar nessa situação. “Não esperava estar aqui, fazendo um protesto com a perda de alguém. A gente sempre via na televisão, mas nunca pensei que um dia eu estaria aqui. Ter que estar pedindo justiça pela minha filha é uma dor que não tem como mensurar”, lamenta.
Ela conta que os médicos que atenderam sua filha foram negligentes e que vai buscar justiça até o fim. “A gente está aqui para pedir justiça mesmo […] O jeito que aconteceu, o jeito que eles fizeram com a minha filha, uma criança. Era para ter dado atenção a ela. E eles não deram, fizeram pouco caso. Deixaram praticamente ela morrer nos meus braços.”
Sara afirma que os médicos deveriam ter pedido novos exames, já que Hannah aparentava não estar bem. “Não pediram exame, não pediram nada. Então foi regredindo […] chegou na terça, teve piora e já não tinha mais o que fazer, já deixaram pra agir em cima da hora. Quando ela já tinha praticamente morrido nos meus braços que decidiram fazer alguma coisa.”
‘Fiz tudo que pude’
Viúvo de Gabriella, Samuel Gustavo Rodrigues lamentou a morte da parceira, negou a suspeita inicial de feminicídio e disse que fez tudo que pôde. “Foi uma perda repentina, que a gente sofre muito até hoje. Vamos sofrer o resto da vida. A gente nunca está preparado. E eu fui acusado de feminicídio, sendo que foi comprovado agora que ela teve um aneurisma cerebral. Eu fiz tudo que eu pude”, contou.
O marido da vítima afirmou que há necessidade de mudança no atendimento médico, já que Gabriella havia ido à UPA na semana anterior à sua morte com fortes dores de cabeça. “Tem que mudar o protocolo, quando uma pessoa chega com uma dor de cabeça no médico, isso precisa ser mudado. Vai, dá um remédio e manda para casa. Tem que ter humanidade. O médico tem que olhar para o paciente, olhar o histórico dele, ver o que está acontecendo”, opina Samuel.
A mãe da vítima, Carla, de 40 anos, diz que, após diversos problemas como erros médicos e falta de medicamentos, o sistema de saúde precisa passar por investigação. “Como diz na camiseta, o SUS [Sistema Único de Saúde] está doente. Tem que ter uma investigação geral do dinheiro que foi mandado para a saúde também. Onde que está? Não tem medicação. Eu estou tomando remédio para a ansiedade, não tem medicação no posto, eu tenho que comprar. Cadê o dinheiro?”, questionou.
O Jornal Midiamax acionou a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) para solicitar posicionamento sobre a manifestação deste sábado e os casos relatados, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto.
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(Revisão: Nichole Munaro)









