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Cotidiano

Aulas de programação inspiram alunos da Reme a criar site para preservar a história de Campo Grande 

Voluntária quer ampliar as aulas, mas precisa de doação de peças para arrumar os computadores da escola
Idaicy Solano -
Alunos de escola municipal criam plataforma para preservar a história de Campo Grande. (Foto: Reprodução)

Em uma realidade em que crianças e adolescentes crescem cercados pela tecnologia, transformar as telas em ferramentas que possam ir além do lazer é um desafio que foi transformado em oportunidade de aprendizagem pela programadora Gabriela de Oliveira Farias, de 31 anos. 

Ela decidiu aproveitar a curiosidade dos pré-adolescentes pelo universo digital para criar o projeto “Memórias de ”, iniciativa que une tecnologia, educação e valorização da cultura local, utilizando uma linguagem familiar para os alunos com intuito de aproximá-los da história regional.

A plataforma consiste em um site com diversos conteúdos interativos elaborados pelos alunos Julya Santos Sampaio de , Mauro de Oliveira Lovera e Rhyan Alcantara Taveira dos Santos, do 8º ano da Escola Municipal Abel Freire de Aragão. 

O conteúdo consiste em imagens dos pontos turísticos da cidade para colorir, além de jogos de perguntas sobre conhecimentos regionais. O diferencial é que os conteúdos foram divididos conforme são ensinados na escola, ajustando a dificuldade para cada ano escolar, possibilitando que os próprios professores possam utilizá-los em sala de aula. 

O projeto contou com a orientação do professor de História Luís Felipe Mesquita Granja e da programadora Gabriela de Oliveira Farias, que ensina programação de forma voluntária para os alunos durante o contraturno. 

Alunos mostram site e explicam como interagir e onde encontrar os conteúdos. Confira:

Tudo começou no trabalho voluntário 

Mãe de um aluno da Escola Municipal Abel Freire de Aragão, Gabriela utiliza seu tempo livre para ensinar programação gratuitamente às crianças. As aulas acontecem todos os dias, das 17h15 às 18h20. Atualmente, duas turmas reúnem alunos do 5º ao 8º ano do ensino fundamental.

Ela conta que a ideia surgiu depois de ensinar programação ao próprio filho, que começou a aprender a função aos nove anos. Após a criança compartilhar os vídeos mostrando o que desenvolvia, muitos colegas começaram a pedir ajuda para dar início aos seus próprios projetos. 

“[É o] sonho de quase todo adolescente de criar jogos. Decidi escrever um projeto voluntário para a Semed (Secretaria Municipal de Educação), que aprovou as aulas na escola em 2025, e estamos com ele até hoje. Valorizo muito a educação, então resolvi ensinar no meu tempo livre, após as aulas deles na escola”, relata Gabriela. 

Segundo a programadora, o objetivo das aulas é apresentar novas possibilidades profissionais aos estudantes e incentivá-los a participar de competições de tecnologia. A escola, inclusive, é a única da rede municipal de Campo Grande com alunos competindo na OBI (Olimpíada Brasileira de Informática).

Já o projeto “Memórias de Campo Grande” faz parte do Desafio Liga Jovem do Sebrae e, futuramente, o grupo pretende inscrevê-lo na Fecti (Feira de Ciências e Tecnologia da Reme).

Clique aqui para acessar o site desenvolvido pelos alunos.

Alunos foram a campo 

Gabriela relata que o projeto não se resumiu às telas. Para desenvolver a plataforma, os alunos precisaram realizar pesquisas em documentos, conversar com os professores e até entrevistar moradores da região do bairro Pioneiros para reunir informações sobre a história da Capital.

Foi justamente durante esse trabalho de apuração que os alunos se deparam com a escassez de conteúdos atrativos para ensinar a história regional para as turmas do ensino fundamental. Assim nasceu a iniciativa de reunir, no ambiente digital, textos, fotografias, documentos e materiais prontos para impressão, facilitando o trabalho dos professores em sala de aula.

Todas as etapas do desenvolvimento, desde as pesquisas até a programação do site, foram desenvolvidas pelos alunos, com auxílio de Gabriela e do professor de História e também programador Luís Felipe Mesquita Granja. O projeto também recebeu apoio da direção da escola, que deu suporte para que as atividades fossem desenvolvidas.

Os moradores de Campo Grande também podem colaborar com o projeto, enviando novos registros históricos, fotos e informações que possam ser utilizados para enriquecer o acervo. No futuro, a equipe pretende instalar QR Codes em pontos históricos da cidade, mediante autorização da Prefeitura, permitindo que moradores e turistas acessem informações diretamente pelo celular.

Alunos apresentam projeto com QR Code para conhecer a história de Campo Grande:

Gostou do projeto? Veja como contribuir 

Além de ensinar programação, Gabriela dedica parte do tempo à manutenção dos computadores da escola. No entanto, a programadora revela que não há recursos suficientes para consertar todas as máquinas. 

Atualmente, apenas oito máquinas estão disponíveis para as aulas e Gabriela já conseguiu recuperar quatro dos 12 computadores que não estavam funcionando. Devido à falta de equipamentos, os alunos precisam dividir os computadores em duplas, o que impede a programadora de ampliar as turmas. 

“Temos poucos computadores e muitos alunos. Todos os dias os alunos me pedem pra entrar na aula; eles acham incrível, mas não consigo colocar mais, pela falta de computadores”, lamenta. 

O objetivo agora é recuperar mais equipamentos e reativar a antiga sala de informática da escola, para que possa ser utilizada pelos professores durante as aulas e por Gabriela no contraturno, além de ampliar as vagas no projeto de programação. Quem puder e quiser colaborar, a programadora está aceitando doações de peças. 

“A escola não tem verba suficiente para me ajudar com as peças, mas me autorizaram a arrumar. A diretora está disposta a me ajudar a arrumar a sala de informática onde era o antigo espaço, que já tem o cabeamento próprio”, cita. 

Para colaborar, basta entrar em contato direto com a Gabriela pelo telefone (67) 98482-1570.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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