A chegada do frio tem intensificado a circulação de doenças respiratórias em Mato Grosso do Sul. A gripe, causada pelo vírus influenza, segue entre as principais preocupações das autoridades de saúde. Neste ano, o Estado já confirmou 67 mortes pela doença, enquanto a cobertura vacinal permanece em apenas 43,85%, índice considerado baixo pelas autoridades sanitárias.
Nesta quinta-feira (11), a SES (Secretaria de Estado de Saúde) emitiu um alerta à população sul-mato-grossense reforçando a importância da vacinação contra a influenza. O imunizante foi liberado para toda a população há cerca de três semanas, mas a adesão ainda está abaixo do esperado.
Em Campo Grande, a cobertura vacinal chegou a 41,75%, com 194.478 doses aplicadas. O percentual, no entanto, segue distante da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde.
MS soma 3,5 mil casos de SRAG

Dados do mais recente boletim epidemiológico de influenza apontam que Mato Grosso do Sul já registrou 3.523 notificações de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) em 2026. Entre os casos confirmados de influenza, são 525 ocorrências, sendo 378 de influenza A e 147 de influenza B. Ao todo, 67 pessoas morreram em decorrência da doença neste ano.
Na Capital, foram contabilizados 1.225 casos de SRAG e 90 óbitos. Entre os vírus respiratórios identificados, o rinovírus lidera os registros, com 223 casos confirmados. Em seguida, aparecem o VSR (vírus sincicial respiratório), com 198 casos; influenza A, com 104; influenza B, com 78; metapneumovírus, com 45; adenovírus, com 32; e covid-19, com 17.
Vítimas tinham entre 17 e 73 anos
Dos quatro óbitos mais recentes registrados por influenza em Mato Grosso do Sul, um ocorreu em Nova Andradina, dois em Jardim e um em Campo Grande. Em Nova Andradina, a vítima foi um homem de 60 anos, que morreu em 1º de junho de 2026, em decorrência da influenza A (H3N2). Conforme o boletim, ele apresentava doença cardiovascular crônica, diabetes mellitus e era tabagista.
Em Jardim, foi registrada a morte de uma mulher de 73 anos, também em 1º de junho, por influenza B. A paciente possuía doença cardiovascular crônica, diabetes mellitus e doença neurológica crônica. No mesmo município, um homem de 26 anos morreu em 3 de junho, por influenza A (H3N2). Ele tinha obesidade como comorbidade.
Já em Campo Grande, o óbito mais recente foi o de um adolescente de 17 anos, registrado em 5 de junho, em decorrência da influenza B. O paciente apresentava doença neurológica crônica.
Prevenção

Diante do cenário, a coordenadora de Imunização da SES, Ana Paula Goldfinger, destaca que a vacinação continua sendo a principal ferramenta para prevenir complicações causadas pela gripe.
“A vacinação é uma ferramenta fundamental para proteger a população, especialmente neste período de maior circulação de vírus respiratórios. Quanto maior a cobertura vacinal, menor será o impacto das doenças respiratórias nos serviços de saúde e, principalmente, menor o risco de complicações para os grupos mais vulneráveis”, afirma.
Além da imunização, medidas simples de prevenção seguem sendo recomendadas para reduzir a transmissão dos vírus respiratórios. Entre elas, estão a higienização frequente das mãos, a manutenção de ambientes ventilados, a adoção da etiqueta respiratória e o uso de máscara em caso de sintomas gripais.
Segundo a gerente de Influenza e Doenças Respiratórias da SES, Lívia Maziero, a combinação entre vacinação e cuidados preventivos é essencial nesta época do ano.
“Com a chegada do frio, é comum que as pessoas permaneçam mais tempo em ambientes fechados e com pouca ventilação, o que favorece a transmissão de vírus respiratórios. Por isso, além de se vacinar, é importante adotar cuidados simples, como higienizar as mãos com frequência, manter os ambientes ventilados e evitar contato próximo quando houver sintomas gripais. Essas medidas ajudam a proteger não apenas quem as adota, mas toda a comunidade”, explica.
‘Vacinação extramuros’
Nos municípios, estratégias como busca ativa da população não vacinada, vacinação extramuros e ações em escolas, instituições de longa permanência e locais de grande circulação têm sido adotadas para ampliar o acesso ao imunizante.
Entre as cidades com os melhores índices de cobertura vacinal, estão Japorã (75,09%), Vicentina (71,70%) e Jateí (64,88%). Apesar dos resultados positivos em algumas localidades, a maioria dos municípios ainda está longe da meta recomendada.
A orientação da SES é para que quem ainda não recebeu a dose procure a unidade de saúde mais próxima. Em um período marcado pelo aumento das doenças respiratórias, a vacinação continua sendo a forma mais eficaz de prevenir casos graves, internações e mortes causadas pela gripe.
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(Revisão: Nichole Munaro)








