O Conselho de Administração da ABCG (Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande) manifestou solidariedade neste sábado (12) à presidente Alir Terra e aos dois diretores presos em operação contra corrupção no hospital Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande. Outras quatro pessoas foram presas.
Na nota publicada nos perfis oficiais do centro médico em redes sociais, não há informações sobre a administração. O vice-presidente é Heitor Scheibeler, mas o hospital não informou, mesmo após ser questionado pelo Jornal Midiamax ainda na sexta-feira (11), quem está comandando o maior centro médico de Mato Grosso do Sul.
Por outro lado, o conselho fez questão de agradecer Alir, Paulo Guilherme Mariosa e Monique Gregório, estes últimos chefes dos setores de Finanças e Arquivamento Médico, respectivamente. Neste comunicado, o grupo agradece pela “dedicação, integridade e os relevantes serviços prestados por eles ao longo de anos de trabalho em prol do fortalecimento da Santa Casa e do bem-estar de toda a comunidade”.
A Santa Casa reforçou que os atendimentos continuam sendo realizados normalmente, apesar da investigação. Leia a nota na íntegra:
“A Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande vem a público informar à sociedade, aos seus colaboradores e aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) que o seu Conselho de Administração da Instituição reuniu-se extraordinariamente na tarde de ontem (sexta-feira) para deliberar sobre as medidas necessárias à manutenção e continuidade integral de todos os serviços de assistência à saúde prestados pelo Hospital.
Diante dos acontecimentos recentes envolvendo a operação deflagrada pelo Ministério Público estadual nesta sexta-feira, a instituição esclarece que continua operando regularmente, assegurando que o atendimento à população não sofrerá qualquer descontinuidade.
O Conselho de Administração manifesta sua solidariedade aos membros da Diretoria afetados pelas medidas cautelares, enaltecendo a dedicação, a integridade e os relevantes serviços prestados por eles ao longo de anos de trabalho em prol do fortalecimento da Santa Casa e do bem-estar de toda a comunidade.
A Associação aguarda o pleno esclarecimento dos fatos pelas autoridades competentes e reitera sua confiança na Justiça.
Campo Grande/MS, 12 de setembro de 2026.
Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande”
Operação mira esquema de fraude em contratos da Santa Casa de Campo Grande
Em 11 de setembro de 2026, o MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) — por meio do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) — realizou a Operação Antidotum, contra um suposto esquema de fraude em contrato da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande.
Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão, em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).
Os alvos foram:
- Alir Terra Lima, presidente da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande;
- Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, diretor-adjunto de finanças do hospital;
- Rinaldo Hakme Romano, ex-diretor financeiro do hospital;
- Alessandro Dias Junqueira, ex-diretor administrativo do hospital;
- Monique Gregório de Oliveira, coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística do hospital;
- Maurício Aparecido Benites, empresário.
As investigações apontaram possíveis fraudes e desvios de dinheiro em contrato firmado pela ABCG (Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande) — mantenedora da unidade — para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, no qual foram efetuados pagamentos elevados sem a devida prestação de serviços.
O contrato previa pagamento de R$ 1,8 milhão por ano e tinha vigência de três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Somente no primeiro ano de vigência, o desvio de recursos totalizou R$ 1,4 milhão.
O Gecoc constatou, ainda, irregularidades em contratos celebrados pela operadora de plano de saúde Santa Casa Saúde com diversas empresas do mesmo grupo. Essas empresas, cujo proprietário tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, estava desocupado.
Somente em 2025, a Santa Casa Saúde pagou R$ 9,6 milhões para essas empresas e gerou um prejuízo de, no mínimo, segundo apurado até o momento, R$ 3,5 milhões.
Além disso, contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a CGE-MS (Controladoria-Geral do Estado de MS).
O total do prejuízo causado à Santa Casa de Campo Grande ainda está sob investigação.
A ação contou com apoio operacional do BPChq/PMMS (Batalhão de Choque da Polícia Militar de MS) e a participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil Seccional de MS).
“Antidotum”, termo que dá nome à operação, traduz-se do latim como “antídoto” e significa contraveneno ou contramedida, substância que neutraliza ou impede a ação nociva de uma toxina no organismo. Também é usado no sentido figurado como recurso ou solução contra um problema.
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