Nesta segunda-feira (17), a Santa Casa de Campo Grande completa 109 anos de fundação e firma uma parceria com a Igreja Católica para que três freiras atuem no cuidado à saúde física, mental e espiritual dentro da instituição. O hospital enfrenta crise financeira, com atrasos salariais recorrentes, paralisação de cirurgias eletivas, suspensão de atendimentos ambulatoriais e ameaça de demissão em massa de médicos.
Apesar de todos esses problemas, a presidente da instituição filantrópica, Alir Terra, não prevê grandes mudanças para os próximos anos. “Espero que a Santa Casa continue nesse patamar de modernização e evolução em relação aos atendimentos mais humanizados”, disse ao Jornal Midiamax no evento de comemoração do aniversário, que coincidiu com a assinatura da parceria com a Igreja.
Em 1917, um grupo de cidadãos fundou a Santa Casa em parceria com a maçonaria e a Igreja Católica. Os laços com a religião são tão grandes que o hospital tem formato de cruz visto de cima e carrega a frase “Deus está aqui” em várias paredes. Agora, as freiras, com formação na área da saúde, também reforçarão a religiosidade na entidade. O trabalho específico a ser realizado pelas irmãs não foi informado.
“É importante para a Santa Casa ter profissionais da saúde que tenham essa função maior, de levar o acolhimento ao paciente”, explica Alir Terra.
As religiosas não são contratadas pelo hospital; por isso, é necessário firmar convênio com a Arquidiocese de Campo Grande. “Onde temos as irmãs, a religião está presente, o que vai além da cura médica. O espírito da pessoa e o ambiente melhoram”, conclui a presidente da instituição.

Igreja quer contribuir
O arcebispo metropolitano de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa, lembra que a Santa Casa já recebeu freiras, além da presença continuada de capelães. “As irmãs virão ajudar a compor esse time de tal maneira que, ao menos na parte espiritual, nós possamos dar a nossa contribuição”, diz Dom Dimas.
Para ele, o convênio demonstra uma sensibilidade à visão holística da pessoa humana. “Tem a dimensão biológica, mas também tem uma dimensão social, psicológica e espiritual. Não adianta tratar o físico se o psicológico da pessoa não está em ordem. E a recíproca é verdadeira”, conclui o arcebispo.
Por enquanto, o acordo prevê trabalho de três freiras na entidade, mas o número pode ser ampliado no futuro.

Corrente de oração
Não são só a Igreja e o hospital que apelam ao apoio espiritual para ajudar a Santa Casa. Na última quarta-feira (12), o Jornal Midiamax recebeu de um leitor uma corrente de oração que circula em grupos de WhatsApp. “Peço oração em favor da causa da Santa Casa. Os médicos estão em greve, somente Deus pra entrar com providência”, diz o texto.
Quem escreveu a solicitação de preces diz que não conseguiu atendimento de retorno, já que o ambulatório está fechado. “Há muitos doentes necessitando de atendimentos. […] Tudo está parado. Peço oração em favor dessa causa, para Deus destravar essa greve, que eles sejam beneficiados em suas reivindicações”, conclui.
Crise sem fim?

A Santa Casa é o principal hospital de Mato Grosso do Sul em número de atendimentos e quantidade de leitos disponíveis. No entanto, a unidade de saúde diz enfrentar crise financeira, que resulta em atraso de salários e consequentes paralisações. Dessa forma, a entidade pressiona por mais repasses públicos.
A última paralisação da equipe de enfermagem durou algumas horas, no dia 7 de agosto, e só terminou quando o salário caiu na conta dos profissionais de saúde. O mesmo ocorreu no início de julho, junho, março e janeiro de 2026. Ou seja, a Santa Casa só pagou salários em dia nos meses de fevereiro, maio e abril deste ano.
Desde o dia 29 de julho, o hospital paralisou atendimentos ambulatoriais e cirurgias eletivas, sob justificativa de escassez de medicamentos, insumos e materiais hospitalares. Só mantêm atendimento normal os setores de urgência, emergência, hematologia, oncologia e transplante renal.
Caso a situação não seja regularizada até o dia 29 de julho, as equipes cirúrgicas planejam pedir demissão em massa do hospital, ameaçando interromper completamente os atendimentos na unidade, conforme anunciou a diretora clínica da Santa Casa de Campo Grande, Izabela Falcão.

Possível solução?
No último sábado (15), a diretora informou que médicos da Santa Casa se reuniram com o governador Eduardo Riedel e que ele estudaria direcionar recursos para o pagamento de médicos. “Irá avaliar também alternativas para garantir o sustento financeiro da instituição. Dessa forma, nenhuma equipe médica irá sair do hospital”, diz Izabela Falcão.
O Jornal Midiamax perguntou na manhã de sábado se o Governo de Mato Grosso do Sul confirma as informações repassadas pela Santa Casa e se planeja ampliar o financiamento da entidade, mas ainda não recebeu resposta. O espaço segue aberto.
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(Revisão: Nichole Munaro)








