O CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) está sem medicamento para aplicação de eutanásia, procedimento utilizado para pets em estado terminal ou com doenças contagiosas, como a leishmaniose. Segundo a denúncia feita por um tutor de Campo Grande, o órgão estaria sem o medicamento há cerca de 90 dias.
O Jornal Midiamax obteve a ligação realizada pelo tutor ao CCZ, que confirmou a falta de eutanásia. Ele procurava o procedimento para sua cadela de 11 anos, da raça rottweiler, que está doente desde a última semana. O cão realizou teste de leishmaniose, que ainda não foi confirmado. No entanto, ele se encontra em fase terminal, já sem conseguir andar.
Por isso, o tutor procurou o CCZ para realizar a eutanásia. “Eu tenho medo de que essa doença seja transmitida”, disse o tutor, em ligação ao CCZ. “A leishmaniose é, sim, transmissível para o ser humano, por isso a gente orienta a colocar a coleira repelente […] Mas infelizmente a gente não está recolhendo, porque a gente está sem medicação pra fazer o procedimento de eutanásia no animal”, respondeu a atendente.
‘Vai deixar morrer?’
A recomendação passada ao tutor foi realizar o procedimento em clínica particular e levar o corpo do animal para fazer o descarte gratuito no CCZ, já que este costuma ser cobrado nas clínicas por R$ 10 por quilo.
“Mesmo que ele esteja em fase terminal, nós não podemos receber porque nós estamos sem medicação. Nós só recebemos em fase terminal os animais de rua, sem tutor, porque não tem quem possa pagar por eles. Animais atropelados, com fratura exposta, animal com incompatibilidade com a vida mesmo”, explicou a atendente do CCZ.
“E se não tem condições de levar em uma clínica particular, vai deixar morrer em casa?!”, questionou o tutor. “Infelizmente, a gente não tem recurso. Em dias normais, a gente receberia seu animal pro procedimento da eutanásia, mas estamos sem medicação”, respondeu a atendente. Além disso, foi informado que não há previsão da chegada do medicamento ao CCZ.
O Jornal Midiamax questionou a Prefeitura sobre o que motiva a falta dos medicamentos há cerca de 90 dias, além do prazo estipulado para a medicação chegar ao CCZ. A reportagem também perguntou se há alguma alternativa para os tutores se prevenirem de doenças contagiosas enquanto os animais aguardam pela eutanásia.
Confira a nota na íntegra:
“O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) informa que a redução temporária dos procedimentos de eutanásia é uma situação pontual, decorrente da descontinuidade da fabricação por parte do fornecedor, de um dos insumos necessários ao protocolo.
Diante disdo, houve a necessidade de adequação para o novo procedimento técnico do anestésico e aquisição emergencial do produto, portanto o serviço aguarda a finalização do processo licitatório e a regularização do estoque. O CCZ ressalta que preza pela qualidade e pelo bem-estar dos animais e, por contar com reserva técnica limitada, mantém o atendimento dos casos em que há sofrimento, priorizando a utilização adequada dos medicamentos durante o procedimento.
Até a normalização do fornecimento, a orientação aos tutores é buscar atendimento em instituições de ensino com hospital escola ou, havendo condições, em clínicas veterinárias particulares. O CCZ reforça que todos os procedimentos são realizados conforme as normas estabelecidas pela Resolução nº 1.000 do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), com uso de anestésicos em dosagem adequada, garantindo que o procedimento ocorra de forma humanitária e sem sofrimento ao animal.”
*Matéria atualizada às 17h05 para acréscimo de nota do CCZ.
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(Revisão: Nichole Munaro)








