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Cotidiano

Dourados confirma 89 casos de chikungunya em 24 horas e total passa de 2,1 mil

A cidade segue com oito mortes confirmadas e mais duas em investigação
Murilo Medeiros -
Mutirão recolhe entulhos que acumulam focos de Aedes aegypti, em Dourados. (Divulgação, PMDDOS)

A epidemia de chikungunya avança pela zona urbana de Dourados, enquanto os casos caem na reserva indígena. Apenas nas últimas 24 horas, o município registrou 89 confirmações da doença — todas em bairros da cidade.

Assim, o número total de casos confirmados chega a 2.163. Outros 2.819 casos são investigados, sendo 30,5% nas aldeias e os outros 69,5% na zona urbana de Dourados. A taxa de positividade da chikungunya em Dourados chega a 61,4%, o que indica alta circulação do vírus.

Além disso, a cidade segue com oito mortes confirmadas e mais duas em investigação por suspeita de chikungunya. Entre as vítimas, sete eram indígenas e apenas uma morava na área urbana. Chama a atenção que 42 pessoas estão internadas em Dourados com casos graves da doença.

O vírus só acelera desde fevereiro, mas o número de casos prováveis se inverteu entre aldeias e áreas não indígenas. No período entre 22 e 28 de março, foram 149 casos entre pessoas não indígenas e 767 casos na Reserva. Nos sete dias seguintes, houve 704 registros fora das aldeias e 427 entre os indígenas.

Calamidade e emergência

Considerando o rápido espalhamento do vírus pela zona urbana, a Prefeitura de Dourados publicou na segunda-feira (20) decreto declarando situação de calamidade em saúde pública devido à gravidade da epidemia e ao colapso da rede de atendimento.

No fim de março, o governo federal reconheceu situação de emergência em Dourados por conta do avanço dos casos. A cidade recebeu mais de R$ 27,5 milhões em recursos federais para medidas de contenção do vírus chikungunya. Além disso, a Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) atuou por um mês no município.

O decreto de emergência assinado pela Prefeitura de Dourados em março dispensa licitação para comprar bens necessários ao atendimento da situação emergencial, além de possibilitar a mobilização de todos os órgãos municipais para atuarem sob a coordenação da Defesa Civil, a convocação de voluntários e campanhas de arrecadação de recursos.

Ainda, agentes podem entrar em residências para realizar a evacuação de moradores e usar de propriedade particular, no caso de iminente perigo público. O texto autoriza também o início de processos de desapropriação em imóveis particulares em áreas de risco para a epidemia.

12 mortes em MS

Mato Grosso do Sul ainda lidera todos os números relacionados à chikungunya, em comparação com os outros estados do país.

Com 206,7 casos por 100 mil habitantes, a incidência no Estado é 15 vezes maior que a média nacional, de 13,8. O Estado lidera o ranking de incidência desde o início do ano, seguido de Goiás (109,1), Rondônia (37,2), Minas Gerais (36,5), Mato Grosso (20), Tocantins (15,9) e Rio Grande do Norte (13).

Em todo o Brasil, são 19 mortes confirmadas, 12 apenas em Mato Grosso do Sul — ou seja, 63% das mortes estão concentradas no Estado.

Conforme a SES (Secretaria Estadual de Saúde), apenas uma das vítimas não era parte do grupo de risco: um homem de 55 anos, sem comorbidades. Nove vítimas tinham mais de 60 anos e duas eram bebês. Os óbitos estão concentrados em Dourados (8), Jardim (2), Bonito (1) e Fátima do Sul (1).

Além disso, o Brasil tem 29.386 casos prováveis de chikungunya, sendo 6.046 deles no Estado. Assim, Mato Grosso do Sul representa 20,6% do total nacional de casos prováveis.

Epidemia em 18 municípios

Com o avanço dos casos, Batayporã, Ladário e Figueirão entraram na lista de municípios em situação de epidemia de chikungunya em Mato Grosso do Sul. Assim, sobe para 18 o número de cidades nessa condição.

  1. Fátima do Sul – incidência de 2.548,4 (548 casos prováveis);
  2. Sete Quedas – incidência de 2.102,1 (238 casos prováveis);
  3. Paraíso das Águas – incidência de 1.540,6 (90 casos prováveis);
  4. Jardim – incidência de 1.428,3 (350 casos prováveis);
  5. Douradina – incidência de 1.196 (69 casos prováveis);
  6. Corumbá – incidência de 899,2 (888 casos prováveis);
  7. Amambai – incidência de 847,9 (354 casos prováveis);
  8. Selvíria – incidência de 837,5 (73 casos prováveis);
  9. Vicentina – incidência de 691,8 (45 casos prováveis);
  10. Dourados – incidência de 626,5 (1.654 casos prováveis);
  11. Batayporã – incidência de 539 (59 casos prováveis);
  12. Bonito – incidência de 535,3 (134 casos prováveis);
  13. Guia Lopes da Laguna – incidência de 533,8 (54 casos prováveis);
  14. Costa Rica – incidência de 511,5 (147 casos prováveis);
  15. Ladário – incidência de 392,4 (88 casos prováveis);
  16. Figueirão – incidência de 319,9 (12 casos prováveis);
  17. Angélica – incidência de 318,4 (36 casos prováveis);
  18. Jateí – incidência de 305,9 (11 casos prováveis).

Paraíso das Águas registra o avanço mais expressivo no número de casos por 100 mil habitantes, com alta de 190,3% e mais 59 casos prováveis, nos últimos dez dias. Ou seja, a incidência de chikungunya quase triplicou. Em Corumbá, o índice praticamente dobrou, com alta de 91,3% e mais 424 casos prováveis.

Esses dados estão disponíveis no Painel de Arboviroses do Ministério da Saúde e levam em consideração a comparação com os registros de 10 de abril de 2026, quando Mato Grosso do Sul tinha 4,2 mil casos prováveis e 16 municípios enfrentavam epidemia.

Tecnicamente, todas as cidades com incidência superior a 300 casos prováveis por 100 mil habitantes estão em situação epidêmica.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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