Falhas de segurança permitiram que usuários do Smart Sampa, programa de vigilância da Prefeitura de São Paulo, com credenciais básicas, acessassem imagens de câmeras de segurança de Campo Grande e dados de funcionários públicos de Mato Grosso do Sul. O caso foi revelado em reportagem da Folha de S. Paulo.
Segundo o jornal, documentos técnicos e relatos de especialistas em cibersegurança apontam que um usuário do Smart Sampa, sem funções de administrador ou gestor estratégico, acessou uma câmera de leitura de placas de veículos em Campo Grande a partir de um login em São Paulo.
A imagem registra o trânsito de duas pessoas pela Avenida Mato Grosso, perto do Parque das Nações Indígenas, no Jardim Veraneio, às 17h43 do dia 20 de setembro de 2026.
Outra captura de tela apresentada pela reportagem aponta acesso indevido ao histórico de atividades de um funcionário público de Mato Grosso do Sul na plataforma utilizada pelo Smart Sampa. Foi possível consultar o que ele havia pesquisado, quais câmeras havia acessado, a origem dos acessos e os horários das atividades.

Rastreamento de carros
As possíveis vulnerabilidades descritas estão na plataforma SentinelX, que serve de base para o Smart Sampa. A Folha de S. Paulo ouviu dois especialistas em segurança digital que afirmaram ter comprovado as fragilidades e analisou quatro documentos que apontam as mesmas falhas. Dois deles contêm imagens do sistema.
Uma das principais vulnerabilidades apontadas seria a falta de controle de acesso, que permitiria a usuários comuns consultar informações sigilosas sem as restrições esperadas. Números de registro funcional de servidores, públicos em Diário Oficial, serviriam de login e senha, o que facilitaria acessos indevidos.
No caso do acesso de contas com credenciais básicas a informações de câmeras de leitura de placas, a falha poderia permitir a um invasor rastrear veículos em tempo real.

O que diz a Prefeitura de SP?
“A Prefeitura de São Paulo reitera que não há nenhuma fragilidade nos mecanismos de segurança da plataforma do Programa Smart Sampa. O que houve foi um vazamento ilegal de dados por parte de um servidor da Guarda Civil Metropolitana (GCM) entre os mais de 7.500 agentes de segurança. Ele já foi identificado, afastado e sua conduta é investigada pela Corregedoria da GCM. Nenhum uso indevido da plataforma foi registrado. Portanto, a Prefeitura reforça que se trata de um ato criminoso. Além disso, considerando a possível existência de ilícito penal, a Polícia Civil de São Paulo instaurou inquérito para apurar a conduta do servidor.
Em relação às câmeras de parceiros privados integradas ao Programa Smart Sampa, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU) informa que essas empresas possuem infraestrutura tecnológica própria, sendo responsáveis pela administração, operação e pelos mecanismos de segurança de seus respectivos ambientes e equipamentos. Dessa forma, a integração não implica a transferência da gestão ou do controle da infraestrutura tecnológica dos parceiros ao Município, permanecendo sob responsabilidade de cada empresa a proteção de seus próprios sistemas e equipamentos. Importante salientar que não cabe à administração de São Paulo responder por contratos firmados por outras cidades.
Quanto ao Consórcio Smart City SP, este sim, prestador da Prefeitura, as obrigações contratuais exigem auditorias periódicas, testes de segurança, monitoramento, apresentação de relatórios técnicos. O aprimoramento das camadas de segurança da plataforma Smart Sampa é uma ação contínua da administração municipal. O programa já contribuiu para a captura de 3.642 foragidos e a localização de 287 pessoas desaparecidas“.
Esclarecimentos
A SentinelX foi procurada pela Folha, mas não respondeu. A reportagem do Midiamax também não recebeu resposta.
À Prefeitura de Campo Grande, o Jornal Midiamax perguntou se a câmera mencionada pertence à estrutura municipal; se a Prefeitura foi comunicada sobre possíveis acessos indevidos; se Campo Grande utiliza a plataforma SentinelX; e se existe algum compartilhamento de imagens ou dados de videomonitoramento com outras cidades. A repostagem aguarda retorno.
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(Revisão: Nichole Munaro)










