Entre 2016 e 2026, Mato Grosso do Sul registrou 84 acidentes aéreos. Desse total, 19 foram fatais, resultando na morte de 30 pessoas. O caso mais recente vitimou o piloto Henrique Martin e a jornalista e pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, na manhã desta sexta-feira (3), na região do Aero Rural, poucos minutos após a decolagem do Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande.
Segundo o Painel Sipaer (Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), ferramenta vinculada ao Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), somente em 2026 o Estado registrou 8 acidentes, 1 incidente grave e outros 8 incidentes, todos envolvendo aviões. Vale destacar que, por se tratar de uma ocorrência recente, o acidente envolvendo o piloto e a jornalista ainda não consta no painel. Este foi o primeiro acidente fatal registrado no Estado neste ano.
Os dados também mostram que, dos oito acidentes registrados em 2026, 7 envolveram aeronaves privadas, e 1, aeronave agrícola. Entre os fatores contribuintes apontados nas ocorrências, estão falha ou mau funcionamento do motor ou de sistemas da aeronave, saída de pista e colisão com obstáculo.
Em relação ao acidente que vitimou Henrique e Lydia, ainda não é possível determinar a causa, já que a ocorrência segue sob investigação. No entanto, conforme o delegado Sam Ricardo Aranha Suzumura, a queda da aeronave pode ter sido provocada por influência do mau tempo.
Ao Midiamax, Suzumura afirmou que, no momento do acidente, havia uma intensa cerração na região. “As condições climáticas podem ter provocado desorientação espacial do piloto”, explicou.
Acidentes aéreos em 2025
Em setembro, o Midiamax publicou um balanço dos acidentes aéreos registrados em 2025, quando Mato Grosso do Sul alcançou um triste recorde. Ao todo, seis pessoas faleceram em decorrência de tragédias aeronáuticas, sendo duas quedas só naquele mês.
O número superou as fatalidades de 2019, que carregava o título de pior ano da aviação regional, com cinco mortes registradas.
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Pesquisadora seguia para o Pantanal

A jornalista e pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff era a passageira da aeronave. Na quinta-feira (2), ela publicou em sua rede social um vídeo da janela de um avião, enquanto saía do Rio de Janeiro. “Visão casual pela janela de um avião ao sair do Rio”, escreveu.
A pesquisadora tinha um podcast sobre o mundo selvagem dos animais e publicou em sua rede social alguns registros do Pantanal. Inclusive, ela esteve no Pantanal em 2024.
Em 2018, Lydia publicou que fazia um estudo de papa-formiga/câmera no Pantanal. “Trabalhar com armadilhas para câmeras é sempre como uma caça ao tesouro — nunca se sabe o que vai encontrar, quando recolhe o cartão SD depois de alguns dias”, escreveu a pesquisadora alemã.
Piloto
O piloto Henrique Martin declarava o amor pelo mundo da aviação nas redes sociais. Ele deixa a esposa e uma filha de seis anos. Na biografia da sua rede social, estava escrito: “O mundo da aviação”, em referência aos conteúdos que compartilhava sobre a profissão. Além da aviação, o piloto tinha uma paixão por motocicletas de alta cilindrada.
Nas redes sociais, Henrique publicava registros de seus voos, passeios de motocicleta e lazer em família. Em um vídeo de alguns anos, ele dizia: “Bora voar hoje?”.
Ao Jornal Midiamax, um amigo relatou que o piloto era muito estudioso. “Ele tinha todas as habilitações e eu sempre o via estudando no hangar para ingressar em companhia aérea”, comentou.
Queda de avião

Desde o início da manhã desta sexta-feira (3), equipes do Corpo de Bombeiros faziam buscas pelo avião na região do Aero Rural. Os militares encontraram o avião horas depois, em uma área de mata.
Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, a aeronave teria explodido logo após a queda. Um trabalhador que teria saído do Aeroporto Santa Maria foi quem encontrou os destroços do avião na área de mata.
O proprietário do aeródromo, Eder Correa, contou que ouviu o barulho por volta das 6h30 e percebeu que o chão tremeu. A aeronave seria de uma empresa que faz táxi-aéreo e estava apta para fazer voo por instrumento, de acordo com Eder.
Uma câmera de segurança de um condomínio na BR-262, na zona industrial, captou o som da queda da aeronave.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)











