A defesa do ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal demonstrou preocupação com manifestações hostis nas redes sociais após o político ser internado às pressas devido a um infarto.
Bernal foi encaminhado à Santa Casa de Campo Grande na quarta-feira (1º), poucas horas após o STJ (Superior Tribunal de Justiça) negar mais um pedido de liberdade do ex-gestor, preso desde março, após matar a tiros o auditor fiscal Roberto Carlos Mazzini.
“O que nos vem preocupando são os comentários de grande parte da sociedade, que são comentários extremamente agressivos. E isso, sim, pode deixar, se submetido a júri popular, o Bernal já com um pré-julgamento fixado”, afirmou a defesa.
Os advogados criticaram o tom das mensagens: “Ele está entre a vida e a morte no hospital, e os comentários nas redes sociais são comentários odiosos que, assim, parece-me que aquelas pessoas ali, que representam de certa forma uma parcela da sociedade, já estão pré-julgando ele, inclusive até à pena de morte”.
Os advogados não descartam ingressar com ações na Justiça diante dos comentários acerca da situação de Bernal.
“A preocupação dele é que ele consiga superar essa adversidade, essa questão de saúde, que ele consiga sair dessa bem e aí, depois, sim, a gente vai fazer uma avaliação completa dos próximos passos. A nossa preocupação é que não chegue a esse júri popular com uma sociedade já contaminada por um pré-julgamento. E me parece que isso vem acontecendo, pelos diversos comentários que a gente vem lendo desde lá de trás [da prisão] e, principalmente agora, confesso que nos assustou o tom odioso de alguns comentários”, afirmaram ao Jornal Midiamax.
Histórico cardíaco e internação na UTI
Bernal, que está preso desde março pelo assassinato do auditor fiscal Roberto Carlos Mazzini, possui um histórico de doenças cardíacas.
O ex-prefeito já havia sofrido outros infartos anteriormente, utilizava quatro dispositivos vasculares e dependia de medicação diária.
O ex-prefeito foi submetido a uma angioplastia na Santa Casa na quinta-feira (2), procedimento cirúrgico minimamente invasivo no qual foram implantados dois novos stents para desobstruir as artérias do coração.
Após a intervenção, ele foi transferido para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), onde permanece sob monitoramento. Um familiar relatou que Bernal deve seguir internado pelo menos até a próxima semana para a realização de novos procedimentos.
Novo pedido de prisão domiciliar
Diante da gravidade do quadro clínico, a equipe jurídica do ex-prefeito confirmou que ingressará com um novo pedido de substituição da prisão preventiva por regime domiciliar humanitário.
Parentes do político sinalizaram que a estrutura do Presídio Militar de Campo Grande não é adequada para o tratamento complexo de que ele necessitará após a alta hospitalar.
“O acesso aos remédios ele tinha, não sei se tomava corretamente, até pela situação. […] Ele precisa de um lugar, de alguém que possa fazer o atendimento, passar as medicações para tomar no horário certo”, explicou um familiar à reportagem.
A defesa endossou que o risco iminente à vida do réu preenche os requisitos legais que antes não foram observados pelo Judiciário.

Relembre a prisão de Bernal
Alcides Bernal foi detido no dia 24 de março deste ano após se entregar na delegacia de polícia pelo homicídio de Roberto Carlos Mazzini, de 60 anos.
O crime aconteceu no Jardim dos Estados, em uma residência que pertenceu ao ex-prefeito e que havia sido arrematada pela vítima em um leilão da Caixa Econômica Federal no ano anterior.
Mazzini foi ao local acompanhado de um chaveiro, para tomar posse do imóvel, quando foi alvejado por ao menos dois disparos de arma de fogo.
O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) denunciou Bernal por homicídio qualificado. A acusação sustenta que o crime foi cometido por motivo torpe, impulsionado por um sentimento de vingança.
“O denunciado agiu impelido pelo sentimento de vingança, mais precisamente porque não aceitava a perda do imóvel para a vítima e ainda acreditava ter direito sobre ele”, apontaram os membros do MPMS na denúncia.
Enquanto aguarda a evolução clínica para formalizar as próximas ações, a defesa insiste que o maior desafio será garantir um julgamento isento.
“A nossa preocupação é que não chegue nesse júri popular […] com uma sociedade já contaminada com um pré-julgamento”, concluíram os advogados.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








