Para o pequeno Gael, ele é Gael Gomes, assim como o pai. Desde que nasceu, há quatro anos, a criança vive com o motorista Rafael Gomes. O menino é neto da esposa de Rafael, mas, para Gael, tanto ele quanto a avó são os pais.
Rafael, que trabalha no Jornal Midiamax, conversou com a reportagem ao lado de Gael em uma praça da Vila Nova Campo Grande, bairro onde moram. Durante a entrevista, as respostas do motorista eram acompanhadas de constantes chamados do filho, que queria brincar ou apenas chamar a atenção do pai. Mesmo enquanto falava, Rafael não tirava os olhos do menino, que corria pelo espaço e se misturava às outras crianças.
O vínculo que os dois criaram é tão forte que o menino está sempre perto do pai e sente muito a ausência dele. Criado na casa de Rafael desde que nasceu, Gael desde sempre o viu como pai e o motorista não hesitou em adotá-lo: “Foi amor à primeira vista”.
Rafael decidiu assumir a criação do menino após um entendimento entre ele, a esposa e a enteada. “Nós resolvemos acolhê-lo. Falei: ‘Deixa que a gente cuida’. E até hoje ele está aí, firme, forte, saudável. E, para mim, ele é tudo”, lembra.
Crescer com uma família diferente não foi nenhum desafio para Gael. Todos os familiares de Rafael também o adotaram e deram todo o apoio para que a criança fosse, de fato, filho, irmão e neto.
“A minha família achou fantástico. Inclusive, a minha irmã é madrinha dele. Minha mãe ama ele. É neto dela e pronto. E ninguém questiona nada sobre isso. Ele é muito querido na família”, conta o motorista.
Apesar de continuar presente na vida de Gael, a mãe biológica passou a desempenhar outro papel na vida dele. Criada pela avó e por Rafael, a criança fez deles os pais e da mãe, uma irmã.
Com depressão pós-parto, a mãe não conseguia amamentar, e Gael foi para a casa de Rafael, onde foi imediatamente acolhido com amor. “Dissemos para ela: ‘Deixa ele com a gente. Vamos criar com amor e carinho. Ele vai ter tudo o que uma criança tem que ter. Educação, saúde, alimentação, brinquedo, tudo”, lembra Rafael.
Com o tempo, essa nova dinâmica familiar se consolidou. Gael construiu os laços com cada um pelo afeto, sem deixar de manter o carinho por todos que fazem parte da vida dele.

‘Se eu viajo, ele chora e chama pelo pai’
Gael faz questão de estar sempre junto do pai. No dia a dia, quer acompanhá-lo onde quer que vá. Seja para brincar ou para uma simples ida ao mercado, pai e filho precisam estar sempre juntos.
“Qualquer lugar a que eu vou, eu tenho que levar ele. Não importa se eu for colocar o lixo para fora, ele me vê, ele quer vir”, conta Rafael.
Quando o motorista viaja a trabalho, Gael sente a ausência de imediato e não para de perguntar sobre ele enquanto não retorna.
“Ele chora, fala que ele quer o pai dele. Pega meu travesseiro, dorme abraçado com ele. Se eu deixar uma camiseta pendurada, ele pega e dorme com ela, abraçado”, relata.
Depois de dias de tristeza, o reencontro transforma completamente o humor de Gael. E, para o restante da família, um alívio. “É uma alegria. Parece que ele não me vê faz muito tempo. Todo mundo fala: ‘Graças a Deus que você veio’”, conta Rafael.
Pai jovem, Rafael se vê melhor para Gael
A filha mais velha de Rafael tem 23 anos. Pai ainda jovem, ele diz que hoje vive a paternidade de forma diferente com Gael, aproveitando cada momento do menino.
“Agora eu estou bem melhor como pai. Fui pai muito cedo e quase não aproveitava a minha filha. Com ele [Gael], já sei como é e estou preparado. Sei o que ele precisa, o que ele gosta, o que ele não gosta. E antes eu ficava perdido. Como pai de primeira viagem, você fica perdido”, explica.
Se antes a inexperiência trazia insegurança, hoje Rafael vive a segunda paternidade de forma mais leve, e o amor abundante de Gael torna tudo ainda mais tranquilo.
“Mesmo cansado, eu dou atenção a ele. Ele sabe que eu estou cansado; mesmo assim, ele quer brincar. Então eu tenho que dar atenção para ele, estar 100% para ele, 100% disponível. Aí você não resiste. Você fala: ‘Não, eu vou ter que recarregar as minhas baterias’”, conta Rafael.

A ligação entre os dois se revela em pequenos detalhes. Rafael lembra de uma conversa simples que teve muito significado para ele.
“Uma vez eu estava com o meu crachá da empresa. Ele perguntou o que era aquilo. Eu falei que era um crachá. ‘O que é isso aqui?’ Eu falei: ‘Meu nome. Rafael. Rafael Gomes’. E ele respondeu: ‘Eu também quero ser Gomes’”, finaliza.
Desde que nasceu, Gael já era Gomes. Depois de descobrir o sobrenome do pai no crachá, passou a fazer questão de dizer isso para todo mundo.
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(Revisão: Nichole Munaro)







