O Governo Federal está preparando medidas para Mato Grosso do Sul diante da possibilidade de um El Niño de forte intensidade entre 2026 e 2027. O fenômeno pode provocar efeitos diferentes na região, com períodos de chuva intensa, enchentes, seca, calor e baixa umidade, segundo o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias. Ele esteve em Campo Grande nesta segunda-feira (1º), durante um encontro regional para discutir ações de preparação para o fenômeno.
“Agora você tem que estar preparado para muita chuva e, em outra hora, preparado para situações de irregularidade de chuva, seca, calor e baixa umidade”, afirmou Dias. Segundo o ministro, a preocupação envolve desde a saúde da população até a produção de alimentos e a capacidade de resposta do poder público em situações de emergência.
Dias destacou que Mato Grosso do Sul tem papel importante na produção nacional de alimentos e que eventuais problemas climáticos no Estado podem ter reflexos para além das fronteiras sul-mato-grossenses. Ele citou como exemplo os impactos das mudanças climáticas sobre o Rio Grande do Sul, que afetaram a produção de arroz e contribuíram para a elevação do preço do produto no país.
“Quanto mais a gente estiver preparado, melhor. Agora mesmo a gente teve uma super safra de milho. E aí caíram os preços. Entra a Conab e protege os produtores, comprando esse alimento”, disse o ministro. Segundo ele, o governo também está formando estoques de milho, arroz e outros produtos para garantir abastecimento em caso de problemas futuros.
A estratégia, conforme Dias, busca proteger tanto os produtores quanto os consumidores. “De um lado, proteger o pequeno; do outro lado, proteger o consumidor para não ter elevação no preço”, afirmou. O ministro também destacou a necessidade de descentralizar a produção e de investir em alternativas que permitam maior adaptação às mudanças climáticas, como sistemas de irrigação.
Preparação antecipada
Durante a agenda em Campo Grande, Dias afirmou que o governo pretende agir antes que os impactos mais severos ocorram. Ele citou a preparação de estoques de alimentos como uma das medidas preventivas. “Vem El Niño e a gente já está preparado para poder garantir a condição de atendimento. Aquilo que a gente puder resolver antes”, afirmou.
O ministro também citou a atuação do governo federal em situações de emergência e a necessidade de investimentos em infraestrutura. Entre as medidas mencionadas estão ações para regiões que podem ficar isoladas, sistemas de abastecimento de água, barragens e outras estruturas capazes de aumentar a capacidade de resposta aos eventos extremos.
Segundo Dias, o cenário exige planejamento porque o mesmo fenômeno pode produzir consequências diferentes conforme a região e o período. Ele afirmou ainda que o aquecimento do Atlântico aumenta a preocupação com eventos extremos. “O El Niño coloca um risco em duas pontas: ora chuva demais. Nós estamos tendo o maior aquecimento do Atlântico, mais do que em outros momentos críticos. Ficava 2,8°C acima, agora chega próximo de 3°C”, declarou.

Comunidades indígenas
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, afirmou que as comunidades indígenas também estão entre os grupos que exigem atenção especial no planejamento para o período de possíveis impactos climáticos.
Segundo ele, as ações estão estruturadas em três frentes: segurança alimentar, preparação das comunidades e atendimento emergencial. O governo também trabalha na elaboração de planos de adaptação climática para comunidades indígenas, quilombolas e populações periféricas.
“Estamos também preparados para atender, porque o efeito do El Niño tem impactado as comunidades indígenas. Podemos dividir isso em três eixos. Primeiro, a questão da alimentação; o segundo é preparar as comunidades, não só indígenas, mas também quilombolas e comunidades periféricas, com seus planos de adaptação climática; e o terceiro eixo é socorrer as comunidades indígenas”, explicou.
Terena também destacou o trabalho das brigadas indígenas no combate às queimadas. Segundo ele, existem atualmente 67 brigadas indígenas em todo o país, sendo duas em Mato Grosso do Sul: uma na Aldeia Ipegue, sua comunidade de origem, e outra na Terra Indígena Kadiwéu.
As equipes são formadas e equipadas para atuar diretamente nas terras indígenas. “Fizemos o treinamento, estruturamos com EPIs e equipamentos, e as próprias comunidades indígenas estão se organizando para fazer frente a essas demandas junto às suas comunidades”, afirmou.
Para Terena, a preparação precisa ser baseada nas projeções científicas e não esperar que os eventos extremos atinjam as populações para somente então agir. “A gente não pode esperar o impacto atingir as comunidades”, disse.

Compra de alimentos
Além da preparação para o El Niño, Wellington Dias participou em Campo Grande do lançamento da plataforma Brasil Contrata Mais, voltada à compra direta de alimentos da agricultura familiar. O ministro destacou que Mato Grosso do Sul apresenta resultados positivos na organização de pequenos produtores em cooperativas. A proposta é ampliar a participação desses produtores nas compras públicas de alimentos.
Dias afirmou que o governo federal movimenta recursos significativos no Estado por meio de programas sociais. Segundo ele, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social atende cerca de 1,44 milhão de pessoas inscritas no Cadastro Único em Mato Grosso do Sul e deve injetar aproximadamente R$ 3,66 bilhões na economia estadual neste ano.
A agenda em Campo Grande faz parte dos Diálogos Regionais El Niño 2026/2027, série de sete encontros promovida pelo governo federal para discutir prevenção, preparação e resposta aos possíveis impactos do fenômeno climático. A iniciativa reúne diferentes ministérios e busca ouvir organizações da sociedade civil, movimentos sociais, lideranças comunitárias e outros setores.
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