O naufrágio de uma barcaça carregada com minério de ferro no Rio Paraguai, em Corumbá, ocorreu em uma região que enfrenta um longo histórico de degradação ambiental. Considerado o maior desastre ambiental do Pantanal, o assoreamento do Rio Taquari começou a se intensificar em meados da década de 1970, após a expansão da atividade agropecuária na região.
A embarcação afundou na manhã de 31 de outubro, durante uma operação de carregamento no Porto Gregório Curvo, no distrito de Porto Esperança, a cerca de 90 quilômetros de Corumbá. Segundo informações preliminares, a barcaça transportava aproximadamente mil toneladas de minério de ferro. Dois trabalhadores que estavam a bordo precisaram pular na água para escapar. Ninguém ficou ferido.
Após o acidente, órgãos ambientais passaram a monitorar a situação e avaliar possíveis danos ao Rio Paraguai. Em análise divulgada nesta quinta-feira (5), o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) informou que os primeiros resultados do monitoramento não apontaram alterações na qualidade da água nem indícios de impacto ambiental relevante.
As medições foram realizadas em diferentes pontos do rio, incluindo áreas antes e depois do local do naufrágio. Foram avaliados parâmetros como cor, turbidez, pH e temperatura. O órgão também solicitou análises complementares de metais na água para aprofundar a investigação.
Até o momento da avaliação, não havia registro de morte de animais aquáticos associada à ocorrência. O monitoramento, no entanto, continua.
Histórico de degradação
O assoreamento do Rio Taquari é apontado pelo Observatório Pantanal como o maior desastre ambiental do bioma. O processo se intensificou a partir de meados da década de 1970, quando a expansão da atividade agropecuária nas áreas de cabeceira contribuiu para o aumento da erosão e do transporte de sedimentos para o leito do rio.
Segundo publicação de fevereiro de 2019 do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), o assoreamento da Bacia do Rio Taquari provocou a inundação permanente de mais de 1,3 milhão de hectares no Pantanal.
Na ocasião, o então governador, Reinaldo Azambuja, classificou o problema como “um dos maiores desastres ambientais da história do Brasil”. A recuperação da bacia também foi apontada como prioridade pelo Ministério do Meio Ambiente.
De acordo com levantamento citado pelo Observatório Pantanal, o desmatamento acumulado na região passou de 5,6%, em 1974, para 62%, em 2000. Entre 2000 e 2020, a bacia do Alto Taquari perdeu 851 quilômetros quadrados de formações florestais e 1.565 quilômetros quadrados de vegetação savânica.
O acúmulo de sedimentos alterou o curso do rio e contribuiu para que grandes áreas do Pantanal passassem a ficar permanentemente inundadas, fora do ciclo natural de cheias. O fenômeno também afetou a vida dos moradores e a dinâmica ambiental da região.
O histórico reforça a importância do monitoramento de ocorrências envolvendo cargas e embarcações nos rios pantaneiros. No caso da barcaça afundada em Corumbá, ainda são aguardadas análises complementares para concluir a avaliação dos possíveis efeitos ambientais.
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(Revisão: Nichole Munaro)










