Na última semana, os Estados Unidos impuseram mais um tarifaço às exportações brasileiras, dessa vez sob a justificativa de que o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais por não proibir nem fiscalizar adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Embora muitos produtos exportados por Mato Grosso do Sul tenham permanecido isentos, a tilápia e o rabo bovino passaram a compor a lista.
A venda de filés de tilápia frescos, refrigerados ou congelados rendeu o equivalente a R$ 20.779.998 em exportações de Mato Grosso do Sul aos Estados Unidos no primeiro semestre de 2026, o que representa 1,1% do total, com 546 toneladas.
Para a Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), é lamentável que a medida seja fundamentada, entre outros pontos, em alegações relacionadas ao combate ao trabalho escravo, considerando que “a indústria brasileira de pescados opera sob uma das legislações trabalhistas mais rigorosas do mundo, com fiscalização permanente e elevados padrões de conformidade”.
A entidade destaca, ainda, ser desproporcional a justificativa aplicada para embasar as restrições comerciais, já que essa não é a realidade das empresas que atuam de forma regular, cumprindo a legislação brasileira.
O impacto no setor será grave?
Embora a entidade não responda apenas por empresas sul-mato-grossenses, a avaliação, em âmbito nacional, é de que o impacto concorrencial imediato tende a ser parcialmente amenizado. Isso porque os países concorrentes do Brasil no mercado internacional de pescados, como a China, o Vietnã e a Colômbia, também foram taxados. Esse cenário, de certa forma, preserva o equilíbrio competitivo entre os principais fornecedores do mercado norte-americano.
Produtos de MS no tarifaço dos EUA:
Dados do Observatório da Indústria mostram a participação dos itens nas exportações ao país, o valor movimentado e o volume vendido até junho de 2026. Confira a lista:
- Sebo bovino fundido — 2,65%, US$ 9.805.261, 9.039 toneladas;
- Filés de tilápia frescos, refrigerados ou congelados — 1,1%, US$ 4.078.588, 546 toneladas;
- Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas — 0,03%, US$ 127.050, 38 toneladas;
- Maiôs e biquínis de banho, de malha, de uso feminino, de fibras sintéticas — 0,03%, US$ 101.438, volume não informado;
- Ovos de aves, sem casca, secos — 0,03%, US$ 95.880, 120 toneladas;
- Outro álcool etílico não desnaturado — 0,02%, US$ 83.505, 100 toneladas;
- Rabo de bovino congelado — 0,02%, US$ 65.510, 25 toneladas;
- Outros produtos de qualquer espécie utilizados como colas ou adesivos, acondicionados para venda a retalho como colas ou adesivos, com peso líquido não superior a 1 kg — 0,01%, US$ 18.978, volume não informado.
Tilápia e rabo bovino sofrem taxação de 12,5%. Já os outros itens da lista acumulam também a tarifa de 25%, totalizando 37,5% em impostos.
As taxas recaem sobre os norte-americanos que compram esses produtos. Aos setores impactados no Brasil, o temor é que deixem de importar do país para priorizar a produção interna ou outros mercados não tarifados.
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(Revisão: Nichole Munaro)







