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Polícia

Denúncia ao MPF levanta suspeitas de ataque ao comboio do Bope em Corumbá

Denúncia pede imediata intervenção do Ministério Público Federal
Lívia Bezerra -
Comboio da PM é atacado e faccionado do PCC é executado em Corumbá
Rubens Zilio Neto foi morto durante ataque a comboio. (Fala Povo Midiamax)

Uma denúncia encaminhada ao MPF (Ministério Público Federal) levantou suspeitas sobre o ataque ao comboio do Bope (Batalhão de Operações Especiais) da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) na região de , a 429 quilômetros de .

No dia 4 deste mês, Rubens Zílio Neto, vulgo “Apolo”, morreu durante sua transferência de Corumbá para Campo Grande em uma viatura do Bope. Ele era suspeito de envolvimento na morte do soldado Marcelo Pimenta, ocorrida na noite de 30 de junho.

O Jornal Midiamax noticiou que “Apolo” era apontado como integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital), e os tiros teriam sido disparados por criminosos do CV (Comando Vermelho). Dias após a morte de “Apolo”, o Comando da PMMS admitiu a emboscada armada do CV contra o Bope, durante coletiva de imprensa.

A reportagem teve acesso a uma denúncia encaminhada ao MPF que relata um cenário de degradação da segurança pública na faixa de fronteira. Segundo o documento obtido pelo Midiamax, a fronteira está desguarnecida, pois há uma severa redução de contingente e efetivo dos órgãos competentes, o que impede a fiscalização adequada ao fluxo de pessoas e mercadorias na região.

A denúncia também associa a onda de seis mortes ocorridas em Corumbá à disputa por rotas e apreensões recentes de drogas. Ao MPF, foi relatado que as mortes estariam sendo apuradas de forma indevida, inclusive o confronto com o Bope. Foi solicitada uma imediata intervenção do MPF e de outras autoridades competentes.

Naquele sábado em que ocorreu o ataque ao comboio, “Apolo” estava sendo transportado ao presídio de Campo Grande em uma viatura do Bope, embora o deslocamento de presos costume ser feito pela Polícia Penal.

“[…] deveria ter sido conduzido pela Polícia Penal, mas foi encaminhado pela PRF, Bope e Choque e, ao chegar ao local destinado como posto de combustível do Morrinho, os ocupantes das três viaturas afirmaram que ouviram um estampido que saiu do mato, acertando apenas um tiro na cabeça do detento, retornando as três viaturas para Corumbá com o detento no veículo”, pontua a denúncia.

A denúncia cita ainda a carga de madeira apreendida durante a Operação Timber Shield, que, posteriormente, descartou a presença de cocaína. Um inquérito foi instaurado para apurar o caso e a carga de madeira continua retida até que as investigações sejam concluídas.

Apesar da responsabilidade da região de fronteira ser do Governo Federal, anteriormente a Sejusp informou que foi reforçado o efetivo policial na região. O comandante-geral da Polícia Militar também destacou que a corporação está em constante formação e está preparada para reagir.

“A Polícia Militar está em constante formação, sempre estudando. O que acontece é que os criminosos resolveram reagir às ações dos militares e aí acontecem esses confrontos. Se eles quiserem confrontar, a PMMS está preparada para reagir”, afirmou o coronel Renato dos Anjos Garnes.

O Jornal Midiamax acionou a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) para saber da denúncia sobre agentes da segurança pública envolvidos em crimes. Vomo resposta a secretaria afirmou que não compactua com qualquer prática de corrupção ou desvio de conduta. Confira a nota na íntegra:

“A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informa que não teve acesso à denúncia encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF), uma vez que ela não foi remetida à Secretaria.

Em relação à fiscalização do ingresso de pessoas e mercadorias na fronteira, trata-se de atribuição constitucional dos órgãos federais. Ainda assim, o Estado reforçou significativamente o efetivo das forças de segurança na região nos últimos meses e mantém operações permanentes com abordagens de pessoas e veículos na linha e faixa de fronteira. Como resultado desse trabalho, Mato Grosso do Sul apreendeu 309,2 toneladas de drogas nos últimos sete meses, um aumento de 50,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Sobre eventual envolvimento de agentes da segurança pública com atividades criminosas, a Sejusp reforça que não compactua com qualquer prática de corrupção ou desvio de conduta. Toda denúncia é rigorosamente apurada pelas respectivas Corregedorias, por meio dos procedimentos legais cabíveis, incluindo inquéritos policiais e processos administrativos disciplinares. Quando comprovadas irregularidades, são aplicadas as sanções previstas em lei, que podem chegar à expulsão dos quadros da administração pública.”

O Midiamax também acionou a polícia da Bolívia para saber sobre a morte ocorrida em Corumbá durante o confronto com o Batalhão de Choque. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

‘Não tem insegurança em MS’

Moradores de Corumbá relataram ao Jornal Midiamax um cenário de guerra na fronteira com a Bolívia e até compararam a cidade ao Rio de Janeiro, palco de episódios violentos com frequência. O comandante-geral da PMMS garantiu que não há insegurança em Mato Grosso do Sul. “Se nós pegarmos do ano passado pra cá, tivemos ações semelhantes. Não tem insegurança em MS, e a PM está agindo de forma contundente”, pontuou.

O Jornal Midiamax noticiou que uma guerra entre o PCC e o CV teria causado a morte do policial no dia 30 de junho. Isso porque, antes da morte do militar, criminosos teriam ido até uma casa em Ladário para matar um integrante do CV.

Já o coronel Renato Garnes afirmou que tudo começou com uma briga entre traficantes por causa de drogas. “Os mortos em confronto nos últimos dias têm relação direta ou indireta com a morte do policial Marcelo. Tudo começou com uma briga entre traficantes por causa de droga, e um deles foi sentenciado à morte pelos rivais. Na investigação, o policial foi morto, mas a PM já está com resposta à altura”, explicou.

Na tarde de 5 de julho, os bolivianos Luis David Justiano Flores, de 29 anos, e Alixberto Vasquez Corrales, o ‘Coiote’, de 32, morreram em confronto com policiais do Batalhão de Choque. Familiares de um deles rejeitaram as acusações e exigiram uma investigação completa sobre as causas da morte. Porém, as autoridades bolivianas afirmaram que nenhuma investigação será aberta, já que as mortes ocorreram em território brasileiro e nenhum dos suspeitos tinha passagens pela polícia na Bolívia.

Em menos de 24 horas, já na madrugada do dia 6, outro confronto aconteceu na cidade vizinha. Marlon de Souza Silva, de 42 anos, morreu após atirar em direção aos militares do Choque na BR-262, em . Foram apreendidos um revólver de calibre .38 e um fuzil.

Morte de policial

Informações obtidas pelo Jornal Midiamax indicam que, antes da ação policial, os criminosos teriam ido até uma casa em um Fiat Argo, no município de Ladário, com o intuito de matar um integrante do CV (Comando Vermelho) conhecido como “Coelho”. Três homens efetuaram disparos, mas o alvo conseguiu escapar. O trio fugiu, e a polícia foi acionada para diligências.

Já em Corumbá, quando a equipe tentou abordar os atiradores na Rua Totico de Medeiro, o policial Marcelo foi atingido por um tiro de fuzil e os criminosos fugiram novamente. Logo, os militares tomaram conhecimento de que os suspeitos estariam tentando atravessar a fronteira para a Bolívia. Foi feito contato com a polícia boliviana, que localizou dois homens.

Ewerton assumiu a participação no assassinato do policial e passou a indicar os locais onde estaria escondida parte das armas. Informações obtidas pelo Jornal Midiamax apontam que ele e o comparsa integravam o PCC — Ewerton ficava com as funções de “disciplina” e “paiol”, enquanto Rubens exercia a função de “missionário”.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

(Matéria editada às 12h26 para acréscimo de posicionamento da Sejusp)

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